Dormente Sentir...
Hoje tirem um tempo para ler as palavras,
coloquem a música e deixem-se guiar pelos sentimentos. Quero aproveitar para
agradecer todo o apoio que me têm dado na votação, continuo a contar convosco.
Beijos e Abraços, sejam felizes...
Pés
cansados de quem andara à deriva num destino esquecido de si. Flexa cravada no
coração, ancorada àquele peito flagelado de um ser despido de rotas, vazio de
sonhos. Amor perdido, perdido sentir que um dia tantos sorrisos o fez esboçar.
Vida esquecida, pessoas estranhas, um mundo em que sobrevivia, um passar de
dias que apenas o faziam envelhecer.
Eram horas de desespero revestindo todo o seu
corpo de escaras e de um negrume que o faziam verter lágrimas de dor. Gritos
mudos, promessas rasgadas, esquecidas de tudo o que foi feito, de tudo o que
ele ainda se lembrara de ter dito. Corpo envelhecido, passado pelas brasas de
um sonhar que o fez cair, de uma queda que nunca mais se conseguiu levantar.
Vive agora na incerteza dos dias, na insanidade
daquilo que ainda consegue recordar, naquele lugar, naquele monte recôndito,
não lembrado por ninguém. Prosa, poema que fala de si, que retrata o seu viver,
é a vida assumindo outra forma, almejando que a sua partida seja para breve.
Com as mãos trémulas, com o olhar lúcido escreve ainda as memórias que um dia
serão deixadas sobre o seu corpo morto, as memórias escritas em folhas velhas,
arrastadas pelo vento, entregues ao passar dos anos que o tornaram um ser só.
Na solidão do que lhe resta consegue preservar o
que dele era composto, aquele acreditar que o fez ver naquela terra, naquela
forma de vida, uma casa repleta de gente, uma família que seria o espelho das
escolhas que fez. Fatídico dia, fatídica aquela hora em que viu tudo partir, em
que viu arder um sonho, um sonho que nunca mais conseguiu recuperar.
Refugiou-se na sua própria desgraça, refugiou-se no tempo em que as luzes se
apagaram, em que o sorriso foi dando lugar à amargura, no dia em que a dor
chegou para nunca mais partir. Homem que viu um mundo desabar, um futuro se
dissipar, um amor se matar. Ali, naquele lugar que nem lugar pode ser chamado,
vive sozinho naquilo que se chama respirar, porque o coração, aquele que o faz
viver, deseja a todos os minutos parar de bater...

isto faz-me tanto lembrar uma história que eu conheço. Alguém que julgo saber.
ResponderEliminarOhh as palavras saem-te dos dedos!
Um beijinho*
tens toda a razão do mundo. mas enquanto não ultrapassarmos o passado, não conseguiremos construir um futuro.
ResponderEliminaradorei o que escreveste, mais uma vez, e agradeço-te imenso pelos teus comentários.
beijinho *
Hoje, estou contida nas palavras mas mais uma vez: parabens. Genial. :)
ResponderEliminarUm beijinho e obrigada pelas tuas palavras.