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Secretamente...

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Escuta-me mais um instante, mais um momento, pára, aqui, em mim, neste meu querer que te chama, nestas minhas letras que o teu corpo percorrem, que o teu sorriso almejam – assim pensava ele, no silêncio do seu quarto, sentado numa cadeira de cor escarlate, bebendo um chá quente com aroma a maça e canela. A caneta deslizava pelo papel, os raios de sol desciam pelos prédios e o quarto deixava de ser iluminado pela luz do dia. Acendendo o candeeiro a óleo, que tivera comprado numa feira de velharias, ele rabiscou o rosto dela em palavras e versos de um sentimento distinto, de um sentimento crescido de forma tão peculiar e ao mesmo tempo tão estranho. Sentia-a, sentia a presença do seu corpo nos lençóis de linho com cheiro a vontade, com sonhos desenhados nos pospontos que uniam todo aquele refúgio, todo aquele mar de projectos ardentes de uma chama que aquece sem queimar. Num ápice levantou-se, foi até à varanda, ouvia-se ao perto o mar agitado de um anoitecer de Outono, acendendo um cigar…

Sexta-feira...

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Sou das palavras ditas e das lutas travadas, dos cheiros, sabores e cores, dos encontros, dos amores. Sou dos sorrisos verdadeiros, dos encontros de amigos e das noites de Inverno com uma manta partilhada a dois. Sou dos amantes de um bom vinho, dos destinos, do caminho. Sou das gargalhadas e da praia até ao anoitecer. Sou das noites vividas até de manhã, dos lençóis brancos, das camas desfeitas, dos beijos que tiram o ar. Sou dos sonhadores, dos criadores, dos narradores, dos brincadores. Sou das pessoas que lutam pelo que querem, sou das coisas por completo, sou dos cuidadores, sou dos que acreditam em histórias duradouras. Sou dos que gostam de um bom filme, dos que ficam por querer, do que fazem durar, dos que adoram um olhar expressivo. Sou das músicas confessantes, dos segredos a dois, dos livres que andam por aí, dos loucos que se atiram ao viver. Sou dos adeptos do tempo, das coisas feitas passo-a-passo, dos que gostam de uma boa mensagem, dos que ainda escrevem uma carta. Sou…

Letras...

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O tempo irrompe pela nossa forma de sentir, na nossa forma de amar. Quebramos os minutos, pensamos que o amanhã será o grande dia e quando, o amanhã chega, voltamos a adiar a nossa luta para o dia seguinte. Assim vamos vivendo, ou melhor dizendo, vamos apenas sobrevivendo numa vida meio vivida, meio esquecida. Pensamos demais, pensamos tanto que acabamos por cometer o maior erro da vida, não vivermos porque nem sequer fomos capazes de tentar. Fala-se de amor, de uma necessidade que existe de se encontrar pessoas que saibam amar e, quando as vemos, o que se faz? Nada, porque voltamos a comparar pessoas e a pensar que iremos passar pelo que passamos anteriormente. Ora, se nascemos para amar e ser amados e se não o fazemos, então o que estamos a fazer? Estamos a adiar a história e, com isto, acabamos por anular um tanto que poderia ser vivido e que acaba em nada que te faz arrepender. A maioria das pessoas arrepende-se de não ter vivido algo, lamenta, mas esquece-se que a principal culpada…

Gostus...

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Sou um apaixonado nato, amo pessoas, palavras, versos, prosas. Gosto de tudo por inteiro, de um amor inteiro, de um sonho inteiro e até mesmo de um lutar inteiro. Não sou de ir por outras palavras, não me interessam os caminhos percorridos, o que me interessa são os destinos para onde se pretende seguir. Não ligo a nomes, sobrenomes, erros ou até mesmo bagagem que tragam do passado. Gosto da simplicidade, da humildade de um abraço e da força de um querer. Não sou apologista de bonitas carapaças, de mascaras bem produzidas que tapam pessoas vazias e chatas. Gosto de quem dá de si, de quem não tem medo de falhar, de tentar, de mostrar-se, tal e qual como é, sem pudores, sem receios, sem falsos moralismos. Gosto de quem desafia a vida, de quem quebra a monotonia, de quem invade o mundo de uma outra pessoa mostrando que vale bem mais do que tantos outros possam ver. Gosto de coisas verdadeiras, de pessoas que inventam mundos, de pessoas que reinventam amores, de pessoas que abraçam, quere…

Rima da primeira letra...

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Barco de papel, de papel que me leva, que me arraste, que traduz as linhas escritas de um destino vivido. Prosa complexa, pedaço de tudo, mão cheia de nada. Sonhos vividos, sentidos na neblina acordada de uma noite de outono, fazem-se os primeiros ajustes, confessam-se os primeiros amores. Caminhos seguidos em passos firmes, firmeza de quem sabe o que quer, de quem luta, diariamente, por um futuro sonhado, por projectos que vão para além do visível ao olhar de tanta gente. Sorrisos, choros descontrolados, noites mal dormidas e um pensamento único, um querer tão intenso capaz de dar significado a uma vida. Mais que dias, são escolhas, escolhas contidas em palavras proferidas, em simples tempos em que o tempo nada vale comparado com um amor crescente. É o reinventar do homem, uma criança que se vê crescer na sua própria essência, é pano fino de linho, é a pele tingida de um sofá em que te sentas. Metas cumpridas, sonhos adiados, amores vividos e outros residentes para lá do firmamento. …

Percepção...

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Tocava-te na pele, sentia-te mesmo ali, numa mistura que me envolvia no sabor doce do teu beijo, no abraço apertado do teu ser. Simplesmente ias-me revelando o caminho e eu seguia-o, passa-a-passo, na altivez de um orgulho nosso, de um sentimento presente. Há muito pedíamos o momento, o momento em que os nossos dedos se entrelaçavam numa sinfonia de batimentos cardíacos em que os sorrisos cravavam, na memória, a vontade de ficar ali mesmo. Segredando-te ao ouvido disse que o mundo estava na palma das nossas mãos, que as marés eram firmes ondas que embatiam contra o nosso corpo, que revelavam a firmeza da ancora que colocamos nesta baía  nesta cais em que nos despimos de tudo o que nos tapa o rosto, que nos encubra a vontade. Estás aqui, neste beijo que guardo em memórias minhas, nestas letras rabiscadas que têm o teu perfume, o teu toque, o teu amor. A distância perde-se nos sonhos que sonhamos, nesta forma livre de sermos, em que os caminhos e estradas nada são comparados com os laço…

Isto que dizem que é o Amor...

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O amor não carece de concepções,  falsas noções, más interpretações. O amor é livre, intemporal, sentimental, carnal. O amor encontra-se por aí, nas paredes escritas, nas músicas compostas, nas perguntas, nas respostas. O amor não é tocável e muito menos instável, o amor, causador de insanidade, de loucura, de verdade. O amor não é estrutura e muito menos prisão, amor de verdade, fica na presença, na ausência, no abraço, na saudade. Troca-se amor por aí, nas mesas de um café, num bilhete deixado, numa sala, em qualquer lado. O amor quer-se selvagem, confiável, seguro, mutável. O amor não resiste ao monótono, às palavras caladas, às conversas encenadas e muito menos as lutas inacabadas. O amor assume qualquer forma, qualquer corpo, qualquer alma desde que se esteja disposto. O amor não é, apenas, para os fortes, o amor vive nas ruas pintadas, nas gentes sonhadas e até mesmo num simples olhar. Não me falem que o amor é um livro escrito, o amor escreve-se a cada dia, sem coisas forçadas,…

O que se quer na Mulher...

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Não importa a cor de cabelo que ostentas ou a marca de roupa que vestes, muitos menos interessam os colares que tens guardados naquela caixinha arrumadinha no quarto ou até mesmo quantos vernizes fruis na tua colecção. Não importa o teu passado, as tuas escolhas erradas ou aquilo que deixas-te por dizer. Não interessa que chegues de cabelo despenteado, com o batom mal retocado ou com olhos mal pintados. Não importa que te rias alto, que gostes de futebol ou até mesmo de beber uma cerveja numa dessas tascas que existem por aí. Um homem não procura perfeição e muito menos réplicas de uma boneca ou de uma imagem que se torna tão artificial que nem verdade se encontra no olhar. Um homem quer uma companheira, uma guerreira, alguém que se faça à vida, que não tenha medo de partir uma unha, duas ou até mesmo três. Um homem deseja encontrar uma pessoa para conversar, para amar, para tocar, para agarrar. Para que serve um corpo perfeito com uma mente tão vazia? Pois bem, mulheres e jovens que …

Tempus...

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Espectros passados de uma vida meio vivida, naquela hora, naquele mesmo lugar, tudo se dissipava nas águas turvas que limpavam o corpo daquele homem, o coração daquela alma que lutava por uma felicidade que deixara de ser utópica. Por entre sorrisos e gestos descontrolados, erguia-se a vontade no encarnado sangue de um guerreiro que, em tempos, descobriu o que era o amor. Pinceladas de vida, uma vida por viver no retrato minimalista de linhas cruzadas que revelavam sonhos antigos, agora presentes, numa história em constante mutação. São escolhas de caminhos, atalhos descurados por quem segue nas avenidas de um receio perdido pela vontade maior de arriscar. Sobreviventes, chamas ardentes de quem de si não se perdeu, de quem preserva, nas suas mãos, a forte força de acreditar na plenitude de um acto heróico que não contempla quem vive na sombra de um medo ofuscante. Criança vista crescer, maturidade assente nas travessas de uma escolha que o fez seguir rumo aos mares mais profundos, aos…

Selvagens...

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Contornavam o corpo um do outro numa noite de paixão, suspiros silenciosos, sussurros confessantes, momentos insanes. Deixavam-se ir, no rasgar da roupa caída pelo chão, no meio daquele quarto, em cima daquele colchão. Guiados pelos dedos que pediam mais, os corpos entrelaçavam-se em actos carnais  de quem pedia um pouco, de quem pedia mais. Deixados nas horas, repletos de tanto, eram gestos e gemidos, proferidos, contido, sonhados, vividos. Olhares que se penetravam, na melodia daquela paixão, suores frios, tremores fugidios, sorrisos descontrolados, desejos saciados. Eram amantes num acto apenas deles, sob a luz da lua que passava por entre as vidraças da janela daquela casa, num lugar qualquer, numa história que os fez conhecer. Mordendo os lábios um do outro entregavam-se ao toque, a pele era apertada pelas mãos, pelos dedos que se contorciam na vontade de viver tudo num só sopro, num sopro de ar que saia pela boca deles, que se misturava no meio dos beijos roubados, desejosos de …

Contornus...

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A vida tivera dado tantas voltas, tantos os rumos seguidos, tantos os desejos pedidos. Nós estávamos ali, um perante o outro, despidos, juntos, olhando na altivez de um sentimento que perdurava há tanto tempo. Em palavras mudas comecei a dedilhar o teu ser, fechei os olhos e deixei-me ir, toque a toque, sentido a sentido. Sentia-te, perto, o teu respirar estava colado ao meu fazendo, de nós, a continuação um do outro, a resposta das perguntas que tanto fazíamos. Naquele momento, naquele lugar nada éramos e, ao mesmo tempo, em tudo nos tornávamos, silenciosamente confessávamos e no silêncio das nossas vozes entendíamos tudo num dialecto apenas nosso. Um dia disseste-me que a vida seguia o rumo das nossas escolhas, que éramos carne, coração, prosa ou canção. Disseste-me que o tempo nada era e que as horas passavam fazendo, de nós, trovadores da nossa própria vida. Esses dias para mim tudo são, nunca contei tempos e muito menos caminhos, sempre preferi ser livre, reagir por instinto, deix…

Desde que te ouças...

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Agarra o teu querer, luta, enfrenta fantasmas, rompe as barreiras que tu crias. Foge do mundo, refugia-te na tua vontade, faz do teu sentimento habitação em que te albergas, torna toda a tua história numa compilação de momentos bons e maus. Corre, cai, erra, aprende, nada na vida te será dado sem nada fazeres, nada saberás se te guiares pelas palavras dos outros. Tens de viver, tens de caminhar por ti e nunca ao colo de um outro alguém. Sente a firmeza das tuas escolhas, sorri, chora, expressa tudo o que te vai na alma, não guardes, não te enganes. Batalha de forma frenética por aquilo que tanto queres, vive o momento, o teu próprio momento. Não te guies pelos olhares que não são os teus, não acredites nas “verdades” que te contam sem tu mesmo(a) teres visto, sentido. Grita ao mundo o teu sentimento, sente o coração, pára, toma uma chávena de chá e orgulha-te do que és. Vê-te ao espelho, não olhes apenas as roupas que te cobrem ou a massa corporal que te envolve, olha a tua alma porque…

O que deixas por cá...

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O vento arrasta o meu corpo por estas ruas, neste refúgio dos meus sentidos. Entre vozes e sorrisos camuflados procuro a tua alma no meio de tantas, procuro a minha verdade e não mentiras em gestos contorcidos ou corações amargurados. Na liberdade das minhas escolhas escalo mais uma montanha, mais um monte erigido sobre os sonhos que vou sonhando e as vontades que me compõem. Sou o que tanto quis ser, sou este homem que sente, que recorda, que chora, que ri, que guarda, que luta, que não desiste de um grande amor. Vida, vida retratada em sons e fotografias que matam a vontade, que apaziguam o coração, que acalmam esta vontade de tudo largar e para os teus braços correr. Pode parecer mais um devaneio, mais um sonho em que me perco mas, a realidade do sentimento, está lá, a realidade de um querer que atravessa rios, que quebra distâncias e a tua alma beija. Horas vividas e outras tantas por viver, é a história, é a memória de algo por acontecer. O tempo passa mas o verdadeiro permanece,…

Um carta largada ao vento...

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Sinto-te por mais longe que estejas, por mais perto que te veja, por menos distância que exista entre nós. Sinto-te em cada toque que não sinto, em cada batimento do meu peito, em cada sonho que me faz sorrir. Sinto-te em mim, aqui, agora ou num sempre que eu não sei quando irá terminar. São oceanos de vontade, vidas cruzadas, destinos revelados e uma cumplicidade que encontro num simples olhar. Tornaste-te vida, de tão pouco te fizeste em tanto e aqui habitas, neste homem de carne e osso, neste peito feito de vontade, de uma vontade de ti. Sinto-te nas histórias que leio, nos romances de outrora, nas melodias e nas imagens que me prendem a este sentimento que é a liberdade que eu tanto prezo. Sinto-te no areal da praia, no mar salgado que me banha os pés, nos raios de sol e nas mantas que esperam pelo teu corpo numa noite fria de Inverno. Tornei-me, com este amor, insane, tornei-me um louco de Lisboa, uma criança que arrisca dar os passos seguintes desconhecendo o que é o medo de fal…

No balanço do coração...

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Aventurava-se sobre a firmeza das palavras que escrevera anteriormente. Sonhador, seguiu rumo a um destino desconhecido, apenas acompanhado da sua mala e daquele sentimento que detinha dentro do peito. Livre, descrito como um pássaro livre há muito se tivera entregue ao amor, aquele amor distante que o compunha, que o fazia seguir naquela estrada até ao encontro de quem um dia o cativou.
Chamava-se Santiago, um nome com história, uma história de lutas e guerras em que os seus pais, devotos de um poder superior, fugiram contra tudo e todos para gerarem o que hoje é ele, este homem que vê no amor o mais poderoso poder que o ser humano pode possuir no seu interior. Desde pequeno se diferenciou, incompreendido por muitos, esquecido por outros tantos, formou-se como hoje é, acredita nas suas verdades e persegue os ideais daquilo que dá significado ao seu seguir. São horas despidas, dias compilados entre sol e a chuva que bate nas vidraças da sua casa à beira do mar.
Filho da terra, aquela te…

Um toque de sal...

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Queira eu parta ou não, queira eu ser mar ou oceano, queira eu ser tempestade ou um posso de humanidade, queira eu ser um dia. Queira eu ser mais alto, maior do que os homens, morder, agarrar, prender. Queira eu ser homem, queira eu amar uma mulher. Queira eu ser ponte, fragmento, folha de papel ou um livro de histórias para crianças. Queira eu ser presente, queira eu ser fado, queira eu ser passado. Queira eu ser distância, olhos que não vêem, pele que não toca, pobre de dinheiro. Queira eu ser herdeiro, queira eu ser marinheiro. Queira eu ser um passo de cada vez, uma estrada talvez ou um simples atalho pronto a explorar. Queira eu ser amor, queira eu ser amar. Queira ser eu um crente de ti, um sonhador, um narrador ou até mesmo um trovador que na tua janela vai falar. Queira eu ser tanto, queira eu ser ausência de pranto, queira eu sempre te amar. Queira eu ser olhos que abraçam, lábios que chamam, alma que se liberta. Queira eu ser um tempo, queira eu ser poeta. Queira eu seguir p…

Rio Tejo...

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Deitavas a cabeça sobre o meu ombro, sentia-te, sentia o pulsar do teu coração numa corregia desenfreada, num olhar trocado. Ficamos ali horas a fio, loucos, entregues a uma loucura tão nossa, a um sonho vivo em segredos sussurrantes. Caminhamos tantos quilómetros até ali chegar, enfrentamos barreiras, derrubamos muros, voamos por paisagens desconhecidas e pousamos num lugar qualquer – pouco importa o lugar quando se fala na linguagem do amor. Éramos o nosso próprio segredo, um sentimento vivido, gasto por nós mesmos, agarrado à nossa pele, parte integrante do nosso respirar. Éramos um único corpo, um querer, éramos a nossa voz, o toque, o beijo, o arrepiar da pele. Libertos de amarras, agarrávamos na mão um do outro, corríamos por entre o tempo e sorriamos de uma forma tão peculiar. No amor não existia o errado, o incorrecto e muito menos o intervalo, vivíamos um amor secreto e secreto era este amor que nos tatuava a pele, que nos fazia olhar o destino de uma outra forma, com um outro…

Um tanto de ti...

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Ai o que eu queria, queria tanto partir, agarrar nas malas, fugir. Tanto, tanto que queria ver, sentir, tocar, ficar, amar, sonhar, sentir. Tanto, tanto que em tão pouco tempo queria viver. Tanto. Descobrir, correr, aprender, lutar. Tanto que queria, tanto que te quero. Ai como quero sabendo o que é querer, tanto quero que não consigo dizer. Tanto, tanto quero, tanto te espero, tanto te sonho, tanto te digo sem nada contar. Ai como quero, agarrar, beijar, abraçar, amar, respeitar, olhar, sussurrar ou até mesmo cantar. Tanto, tanto em tão simples sentimento, tanto em tão breves palavras. Ai, ai se o tempo fosse espelho de mim eu seria o espelho do teu sorrir, seria um coração livre que o teu corpo iria habitar. Tanto te digo, tanto fica por dizer. Tanto correr, saltar, quebrar, mostrar, diferenciar, sentir. Tanto que sou eu, tão pouco que é todo o resto. Ai como senti, como te sinto, como vejo a tua presença na rua do lado, na esquina da minha cidade. Tanto te quero, tanto te espero, t…

Suspiro...

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Ouvia-se ao longe a trovoada que chegava aquele lugar, as gotas de chuva caiam sobre as telhas e, o soalho, era aquecido pela lareira acesa ao cair da noite. Na poltrona estava o livro escrito pelos dois, aquele emaranhado de capítulos redigidos em conjunto, repletos de vivências que sobressaiam dos sonhos confessados. Os olhares há muito que se entendiam, as palavras não precisavam ser ditas e, convidando-a para dançar, ele colocou um disco de vinil a tocar naquela caixa antiga herdada dos seus avós. Ali permaneceram durante uma eternidade de tempo, numa mistura de passos descompassados num bailado guiado pela vontade que lhes percorria o corpo. O rosto dela estava avermelhado, no meio de uma pele esbranquiçada e ao mesmo tempo tão suave, ele avistava as rosas que davam àquele ser um toque especial, um toque que o prendera num só corpo, num só coração. Os sentimentos mais verdadeiros não precisam ser falados, não precisam ser gritados, eles ecoam por entre a inteligibilidade do sentir,…

Um tanto meu...

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Confesso que sou um sonhador, um homem de grandes paixões que não concebe o amor por metades. Gosto da diferença, daquela em que as pessoas são o que são e lutam pelo que, realmente, querem. Sou um imaginador, um confesso apaixonado da liberdade e do sentimento que nos faz ver coisas para além do que tantos vêem. Percorro os caminhos mais longos, nunca fui de atalhos e muito menos de substituições com o fim ao esquecimento de um outro alguém. Gosto da adrenalina de um beijo que nos faça suster o ar, gosto de sentir a pele arrepiar e gosto daquela emoção que tantos chamam de “borboletas nos estômago . Sou um amante da simplicidade, das pequenas coisas que para mim são enormes, de um tempo longínquo ou de um viver permanente, sem intervalos, sem reticências, sem desculpas. Acredito naquele fogo que permanece independentemente da distância, daquele fogo que aquece, que ateia, que pede, que não queima. Não há nada melhor na vida do que voar por aí, sem direcção nem destino, aproveitando c…