Secretamente...
Escuta-me
mais um instante, mais um momento, pára, aqui, em mim, neste meu querer que te
chama, nestas minhas letras que o teu corpo percorrem, que o teu sorriso
almejam – assim pensava ele, no silêncio
do seu quarto, sentado numa cadeira de cor escarlate, bebendo um chá quente com
aroma a maça e canela. A
caneta deslizava pelo papel, os raios de sol desciam pelos prédios e o quarto
deixava de ser iluminado pela luz do dia. Acendendo o candeeiro a óleo, que
tivera comprado numa feira de velharias, ele rabiscou o rosto dela em palavras
e versos de um sentimento distinto, de um sentimento crescido de forma tão
peculiar e ao mesmo tempo tão estranho. Sentia-a, sentia a presença do seu
corpo nos lençóis de linho com cheiro a vontade, com sonhos desenhados nos
pospontos que uniam todo aquele refúgio, todo aquele mar de projectos ardentes
de uma chama que aquece sem queimar. Num
ápice levantou-se, foi até à varanda, ouvia-se ao perto o mar agitado de um anoitecer
de Outono, acendendo um cigar…