Contornus...

A vida tivera dado tantas voltas, tantos os rumos seguidos, tantos os desejos pedidos. Nós estávamos ali, um perante o outro, despidos, juntos, olhando na altivez de um sentimento que perdurava há tanto tempo. Em palavras mudas comecei a dedilhar o teu ser, fechei os olhos e deixei-me ir, toque a toque, sentido a sentido. Sentia-te, perto, o teu respirar estava colado ao meu fazendo, de nós, a continuação um do outro, a resposta das perguntas que tanto fazíamos. Naquele momento, naquele lugar nada éramos e, ao mesmo tempo, em tudo nos tornávamos, silenciosamente confessávamos e no silêncio das nossas vozes entendíamos tudo num dialecto apenas nosso.
Um dia disseste-me que a vida seguia o rumo das nossas escolhas, que éramos carne, coração, prosa ou canção. Disseste-me que o tempo nada era e que as horas passavam fazendo, de nós, trovadores da nossa própria vida. Esses dias para mim tudo são, nunca contei tempos e muito menos caminhos, sempre preferi ser livre, reagir por instinto, deixar-me ir nas correntes que me arrastam, que me levam por aí, vivendo o presente, construindo um futuro.
Confesso que me tornei um sonhador, mas gosto de o ser, gosto de sentir esta adrenalina nas veias de seguir passo-a-passo os meus ideais. Não sou de grandes coisas e muito menos de grandes arraiais. Procurei-te por todo este meu caminho, procuro-te ainda, neste toque, nesta descoberta em que sou explorador, explorador de um sentimento tão nosso. Dizem que esperar nada vale, que lutar nada te dá mas, eu contradigo isso, sempre preferi esperar pelo verdadeiro. Do que me valia viver aventuras? Sou um coleccionador  não de efémeras relações, eu sou é um adepto de grandes paixões, sim, destas paixões raras que ainda existem na vida de quem tenta ir um pouco mais além, subindo a árvore e não, simplesmente, apanhando a fruta que está no chão.
Agora aqui estamos, nesta casa sem dono, neste colchão usado, gasto pelo tempo, refúgio do nosso sentimento. Nos sorrisos perdemos a noção dos segundos, vivemos que nem loucos, não pensando como será mas fazendo acontecer, um pouco mais, matando a nossa vontade. Debruças o teu peito sob o meu, em contornos ligeiros deixamo-nos ir, sem demora, sem outrora, sem que a pressa se devore. Ficamos ali, com o cair da noite e o nascer da lua que te ilumina o rosto, que desperta cada traço, cada traço que eu conheço, que eu sempre almejei.
Foi nessa hora que me fizeste uma promessa, um simples promessa e eu, eu tapando-te os lábios disse:


Que não sejamos promessas, horas vagas, horas tardias. Que não se queira tudo depressa mas que não se desperdice cada momento. Que sejamos o sabor, salgado, doce ou refinado. Que fiquemos aqui, não hoje, nem amanhã mas sempre que queiramos. Que sejamos do mundo e que o mundo esteja na palma das nossas mãos. Que mais que amantes sejamos presentes, cuidadores do corpo, da alma, do coração. Que vivamos sem tempos, procurando um ou outro, na liberdade do nosso sentimento, no fomentar da nossa vontade. Que sejamos isto que agora aqui está, dois intemporais marinheiros num oceano que tanto nos tem para dar...

uniqueh0rns:

paranoid:

vintage blog♡




vintage blog ♥






Comentários

  1. "a continuação um do outro.." :)

    http://www.youtube.com/watch?v=NXh8bOwvRdc

    ResponderEliminar
  2. Mas que grande sorriso me surgiu na cara ao ler este teu texto! Simplesmente fantástico, adorei!
    beijinhos*

    ResponderEliminar
  3. Eu fico indignada.
    Devia escrever um livro, tanta gente boa nesses blogs, eu compraria todos os livros que pudesse.
    E você sempre muito inspirado, adorei o texto.

    ResponderEliminar
  4. Absolutamente apaixonante, como sempre :)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário