Na tua Janela...

Os dedos percorriam as paredes de casas baixas, os pés, esses, arrastavam-me o corpo por entre ruas e esquinas até à tua casa chegar. Olhei, espreitei pela janela do teu quarto e esperei que a luz acendesse. Acedeu! – pensei eu com um sorriso no rosto – Fiquei ali, à espera que viesses ver a lua, mesmo sem conhecer os teus rituais senti que vinhas à janela e que olharias para aquela rua estreita feita de calçada polida.
Sentei-me à porta de uma casa que ficava de frente à tua, sentei-me rabiscando um caderno repleto de frases feitas endereçadas a ti, de poemas e de canções incompletas prontas para serem cantadas por um trovador de histórias que falam de amor. Sentia-te, não me perguntes como porque nem eu quero saber, quero apenas sentir-te, quero apenas ter-te em mim.
As horas foram passando, em cada minuto que passava o corpo parecia desencadear uma sequência de movimentos que deixavam a minha face rosada, não sei se podemos chamar isso de amor mas eu nem quero pensar porque pensar destrói o que o coração sente, sabias? Deixei-me levar, sinceramente, nunca fui um homem de grandes paixões ou de ficar à espera numa janela, somente, para avistar quem é personagem principal dos meus poemas.
Esperei, nunca me cansei nem um pouco de esperar, vi tanta gente passar, tantos olhares se cruzarem nos meus mas, o mais importante, ainda não tinha chegado, estava ali, perto de mim mas tão longe de tudo. Era madrugada ou então nem sei que horas eram, tens esse dom, tiras-me a noção de tempo nas horas em que penso em ti, ou quer dizer, no tempo todo que penso no teu ser. Pode parecer despropositada esta forma inconsequente de amar. Logo eu, que sou tão racional nos meus sentimentos!
Um dia disseram-me – “Quando amares de verdade verás que as palavras ficaram caladas em ti e que só, num olhar, encontrarás um mundo que te fará beijar os lábios sentindo a alma de quem beijas” – senti que isso seria mais um capricho da alma de um romântico incurável, de um sonhador que, na realidade, desconhecera o amor por completo.
Hoje dou-lhe razão, o amor é mesmo fascinante quando deixamo-nos ir pela correnteza de um destino que dizemos não existir.
Continuava à espera, esperei tanto que tanto escrevi e nem um sinal teu naquela janela que contemplei por horas a fio. Foi na altura que me levantei, sorri, olhei de novo para as vidraças que davam para o teu quarto e fui, andando lentamente, sabendo que tudo teria um momento, o nosso momento.
Passaram-se dias e a certeza crescera, a certeza tinha amadurecido tanto em tão pouco tempo o que me mostrava que as horas, nada são, comparadas com esta “arte” de amar. Continuei à tua espera, continuarei à tua espera, entre sinais escritos, entre melodias confessantes, entre rabiscos que retratam tanto de ti.

Hoje sentar-me-ei de novo à tua porta porque lá sinto-te mais perto, porque lá encontrarei o teu olhar no meu por entre as vidraças da tua janela...



Comentários

  1. Que bonito :)
    és um verdadeiro romântico!!

    Concordo c a frase q transcreveste, mesmo.

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  2. Obrigada pelo teu comentário =)

    "...mas eu nem quero pensar porque pensar destrói o que o coração sente, sabias?..." Já Fernando Pessoa defendia a dualidade entre o pensar e o sentir :)

    és o amor André. Nas tuas veias correm versos de amor. *

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  3. Muito obrigada :D

    É normal dizeres isso.. é um texto mais racional. Pode dizer-se que é um texto mais maduro, após dias de reflexão e mais reflexão...

    E chego ao fim e só consigo pensar "Porra, conhecê-lo mudou-me mesmo" (isto agora foi pouco romântico :P)

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  4. Que lindo seu poetisar.. Estou eu aqui, desembacando a minha vidraca( emocionada) beijim

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  5. Oh muito obrigada pelo elogio ao blog!! :)

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