Respirar...


Seguia os caminhos daquela vida meio escrita, complementaridades encontradas em poesias e sinais dispersos num nevoeiro de cegues alheia. Era um novo recomeço, o acreditar de sonhos que outrora pareciam difusos numa dor em peito aberto. Coração vivo, homem entregue às emoções que lhe moldavam o corpo, que lhe deixavam em cada traço do rosto uma história com tanto por contar. Caminhos inversos, destinos incertos, chão que se pisa com a firmeza de um acreditar, porque quando a vida se assoma à janela, depende apenas de nós a saber agarrar. A canção tocava ao longe, longínquas eram as águas que passavam banhando os pés de quem se afirma sentimental. Homem vivido, escrito nas paredes de Lisboa, em versos ou em grafitis coloridos na paleta de um artista que representa a sua arte no minimalismo de um descobrimento. Antagonismos de quereres, pessoas que voam pela vida sobrevivendo nas linhas da sua história. Outras, outras apenas agarram aquilo que pelo chão anda, aquela simplicidade de relações efémeras em que o amor é substituído pela roupa ou pelo corpo que reveste uma alma que se decompõe na igualdade de tantas outras. Eu não, não quero amar o igual, não quero viver a réplica de teatros ensaiados com guiões sem futuro. Não procurem este meu ser nas avenidas abandonadas de gente moribunda que diz amar sem saber o que é amor. Se a vida se chamasse apenas por um único nome chamar-se-ia sol porque esse, esse sim, passando por tanto continua a brilhar a cada dia, continua a mostrar que os caminhos seguem, que o tempo passa e que depende inteiramente de nós sermos felizes com o que somos, com o que temos e, especialmente, com aquilo que queremos. Sejamos pássaros livres, livres em tudo, livres em nada. Sejamos o que nunca ninguém foi e quando amarmos, que amemos com o coração, com o nosso olhar, com a nossa verdade. O mundo é apenas uma pequena parte de tudo aquilo que reside em nós, de toda uma vontade que corre nas nossas veias mostrando que o destino é. e sempre será, o resultado da força e dedicação que colocamos nos passos e caminhos que seguimos...






Comentários

  1. Ai, adorei este texto..principalmente a parte em que fala do sol. :)

    Um beijinho*

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  2. Adorei a profundidade das tuas palavras. A verdadeira beleza do amor está bem presente na forma como o descreveste!

    Forte abraço :)

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  3. Hmm não sei se é uma escolha ou antes um dever-ser ou um ter que ser.. Acredita que não é nada nada fácil para mim! Se eu pudesse escolher estaria nos braços do meu amor, a partilhar tudo isto que tenho vivido e não assim. Talvez as vezes pareça que é melhor assim, mas não é. Sabes aquela sensação de estares mesmo bem mas faltar-te aquele abraço, aquele colo? De estares com amigos e o quereres lá contigo, desejares apresentá-lo e mostrar-lhes o quão especial aquela pessoa que encontraste é para ti? Quem sabe até fazer o mesmo relativamente à família? Passar p ex o feriado abraçados no sofá ou então a passear de maos dadas enquanto comem um gelado? :)
    Algo simples assim..
    Acho que é quando aparentemente tens TUDO e ainda assim o que querias mesmo era só um pouqinho com aquela pessoa ou partilhar esse tudo com ela, faze-la sorrir.. Bem, aí sim é amor! :)
    bjinho e bom feriado*

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  4. É verdade, muitas pessoas usam a palavra amo-te sem saberem realmente o seu significado. E fazem do amor um boneco. Daí muitos contarem que o amor não é bom. Só não o é quando fingido.
    Adorei, adorei..

    um beijinho e bom feriado.

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  5. Um texto verdadeiramente artístico!
    Como nã podia deixar de saber adorei lê-lo! E é claro (mais uma vez), volto a rever-me em parte nele...
    Mas tenho que ser sincero, em relação à estrutura do texto; pois numa fase inicial (apesar de ter lido mais do que uma vez), tive alguma dificuldade em entender tudo; e nem imaginaria o que viria no resto do texto (talvez essa mudança "brusca" de ideias foi propositada, pois pelo que percebo desta história, a personagem sofre de igual forma uma mudança na sua vida).
    Adorei a tua partilha de ideias sobre como a vida deve ser levada nas diferentes coisas que fazemos; e principalmente no amor.
    Eu partilho da opinião que deveremos ser únicos (se bem que devem ser tido em conta todos aqueles que consideramos bons exemplos).
    No teu caso, considero as tuas ideias um bom exemplo e que (já sabes), muitas vezes me fazem manter a cabeça no lugar e ganhar mais força para acreditar e continuar a acreditar em algo que defendo.

    Espero, conseguir voltar em breve!

    Abraço
    :)

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