Perto...


Fomos loucos, poucos, dois, apenas a junção de um. Naquela noite fugimos por entre ruas e ruelas, calçadas polidas, gentes conhecidas e um sentimento tão nosso. Quebramos a barreira, fomos maduros, crianças, insanes, conscientes. Olhando o teu longo cabelo, perdi-me nas ondas do teu sorriso e admirei cada curva que dele emergia. A noite era fria e a lua quase nem se via mas, o mar, estava ali, perante o nosso olhar numa mistura de vontades, de mãos apertadas e do simbolismo dos nossos dialectos. Fomos loucos, loucos um pelo outro nesta arte que fala de querer, ficamos perdidos e, perdendo-nos, perdi-me nas horas em que eu contornava o teu rosto, desvendando os teus segredos que residiam no silêncio das nossas vozes. Ouviam-se ao longe as chuvas que caiam no areal daquela baía de antigos piratas, naquela terra de gerações de pescadores que se tornavam guerreiros, guerreiros que nos fizeram herdar a garra de uma, permanente, vontade de ficar. Chegas-te quebrando com a saudade, com o receio de uma visão que ia para além do conhecido, que almejava os teus lábios, nos meus, as tuas mãos, nas minhas. Fomos aventureiros, sonhadores, brincadores, fomos o que sempre quisemos, cimentados na liberdade da nossa presença, na ansiedade da nossa vontade. Ficamos ali, imparciais às gotas de chuva que nos alagavam o corpo, que nos uniam um ou outro, naquele dia, naquele meu sonho...



Comentários

  1. Olá,
    Quando vão os teus leitores ouvir que o sonho passou à realidade?
    Bom fim-de-semana
    Águia

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    Respostas
    1. Olá, aqui falo de sonhos ou até mesmo de realidades. Mais que o sentido das histórias, gosto de falar dos sentimentos que habitam nela.
      Quanto à pergunta, confesso que sou um adepto de incógnitas, não gosto de coisas claras de mais e de fácil entendimento.

      Bom fim-de-semana :)

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  2. Mais um texto espectacular! Diz-me, de onde vêm a tua inspiração?

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