Mesmo antes de ires...
Perde-te mais umas horas, fica
no meu abraço, debaixo do calor das mantas que nos cobrem os corpos, que nos unem
numa tarde de Novembro. Fica no meu abraço, envolta num misticismo tão chamativo,
nesta vontade que tenho de ser o teu homem, sem tempos, sem intervalos, sem
momentos. Fica somente a olhar nos meus olhos, num silêncio cúmplice que surge
depois do prazer, depois de um encontro esperado que nem panificado foi. Faz-me
desejar-te ainda mais, faz-me ter-te nas minhas mãos, tornando-te minha,
fazendo-te livre. Fica mais um tempo, cobre a tua nudez com os lençóis amarotados
pelo tempo gasto ali, pelos segundos partilhados em que ficaste, em que te faço
acreditar. Antes de ires, leva-me contigo a um lugar qualquer, lá farei de ti a
minha mulher e, o resto, fica por acontecer porque não sou muito de idealizar. Quebra
comigo mais uma barreira, parte depois que eu, eu, não esqueço quem faz parte
de mim. Dá-me mais sinais, mais actos banais ao olhar de tanta gente mas que
fazem, de nós, uma combinação de códigos e dialectos próprios, daqueles que nos
convidam a voltar. Perde-te mais um pouco, a noite começa a cair e, as luzes
desta vila, já iluminam a vidraça deste quarto, fica mais um pouco, neste
sentimento louco que sou incapaz de descrever. Depois de vermos o mar e de seguires rumo a um outro lugar, ficamos sempre juntos por esta vontade de ser, por este nosso
querer, em que eu e tu somos nós, um nós tão difíceis de desatar...

Sempre que as palavras faltam, somos letras, letras rabiscadas num caderno nosso, presentes em cada minuto do meu dia...
Excelente
ResponderEliminarHoje, o meu comentário vai fugir ao contexto do teu texto. Infelizmente, os seres humanos estão programados para dar valor às coisas ou pessoas, quando as perdem. Não deveria ser assim mas, esta é a pura da verdade. Quando estão bem e quando imaginam aquele “quase que sabem” o que ambicionam na vida, fazem promessas com lindas palavras, quando deixam as dúvidas ou confusões instalarem-se o outro lado é tratado com desprezo e desdém. Dão ouvidos a vozes exteriores em vez de darem ouvidos ao seu coração e assim, vão repudiando e mal tratando, arranjado desculpas esfarrapadas e agarrando-se a medos infundados. Tudo na vida tem um tempo para plantar, amadurecer e colher. Se o ego, escolhe não apressar em vez de colher o que já está maduro e pronto a colher, inventando para si que apressar é um dos caminhos para a dor e desilusão. Para mim e segundo a minha experiência, ainda vai ter um longo caminho a percorrer até atingir a maturidade e saber com todas as forças aquilo que quer e lutar pelo que tanto almeja. Porque, a linha que separa um eu gosto de ti e da eu amo-te, é muito grande.
ResponderEliminarBom fim-de-semana
Águia
Concordo há uma grande linha que separa o amo-te do eu gosto de ti. Quanto ao darmos valor ao que temos, somente, com tempo é que o valor adquire. Ninguém obriga ninguém a lhe amar e, da mesma forma, ninguém é obrigado a amar um outro alguém só porque a pessoa assim o quer.
EliminarMais vezes o problema não é desdem, o problema é que a pessoa faz de tudo para mostrar que não sente, é a outra pessoa não entende isso.
Quanto ao amor, tudo tem um tempo e o que tiver de ser será sem pressas, sem promessas e sobretudo sem coisas forçadas
Bom fim-de-semana.
Dré, depois de tanto tempo longe daqui ainda me surpreendes. Continuas o mesmo com as palavras, o mesmo homem lindo e genuíno. Cada vez melhor. Adoro(-te)!
ResponderEliminarGostava de saber se tens alguem onde te inspiras a fazer estes textos. A tua forma de escrfver é como se vivesses esses momentos. É bom ver que exixte um homem que nao tem medo de mostrar o que sente!beijos
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