A tua parte...

O olhar perdera-se no meio das palavras caladas. São gestos mudos, mundos à parte em que eles se encontram, em que fundem melodias na percepção de silêncios que tanto falam. O brilho toma conta do rosto de ambos, ambos abraçam-se no meio da multidão, num gesto tão próprio, num gesto tão deles. São segundos dispersos no meio de uma história em construção, é o beijar, o tocar, o cuidar de ambos, o preservar de um presente que almeja ver-se num futuro real. Dão-se os passos seguros, riscos que se correm quando se faz arte na interligação de sentimentos que se expressam em forma de amor. Minimalismos de coisas que tanto dizem, momentos simples, simples como a água do mar que lhes banha os pés numa noite de Verão.

Existem vidas assim, vidas que despertam num clique, que crescem de forma tão natural no peito de quem sente para além do óbvio. Gosto de acreditar nisto porque, na verdade, cresci vendo, no amor, não mais um caminho mas, sim, o caminho que dá significado a tantas destas letras que escrevo diariamente. Não me canso de sonhar, qual o homem que não gosta de sorrir quando se deita na cama e se sente vivo porque vê que está a amar? Não existe melhor sensação no mundo do que aquela que nos trespassa a alma, nos encontra o coração e coloca lá uma pessoa, um momento, um sorriso, um olhar. Tanto começa de tão pouco e tão pouco é preciso dizer para se exprimir o tanto que temos dentro de nós. Esquecemo-nos de viver o presente, fala-se em amor mas corajosos são os que sabem amar. Se querem que vos diga, tal como eles, estes que vos falo que se abraçam e se beijam numa noite de Verão, eu gosto de amores assim, tímidos, amores envergonhados capazes de corarem o rosto e de nos deixarem com um sorriso parvo sempre que olhamos para quem faz toda a diferença em nós. Tal como as mulheres procuram homens que saibam arriscar, um homem procura uma mulher que lhe mostre para além de tudo, uma mulher que lhe faça sorrir, uma mulher que o faça viver, apenas isso, viver...







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