Um passado revisto no presente...

Seguia os teus passos, fechava os olhos e entregava-me ao sorriso que permanecia ancorado ao meu imaginário, aquele mesmo que se formou pelos sonhos que começaram a ter forma, que começaram a ter a tua forma. Não pedia muito porque, certamente, a vida me viria a dar aquilo que sempre procurei, a minha felicidade, à minha medida, à medida do nosso amor. Percorríamos mundos, saltávamos abismos, e assim, íamos escrevendo a nosso história, repleta de capítulos, uns rasgados e outros guardados como a preciosidade mais importante que tínhamos. Sabíamos sentir, sentíamos de uma forma tal, que não eram precisas palavras, não eram necessários argumentos, apenas o olhar e tudo aquilo que ele nos ia ditando, nos ia entregando um ou outro. Lembro-me dos teus cabelos que esvoaçavam com o vento e a tua forma tão peculiar de o prenderes, de amarrares com qualquer resto de uma natureza morta que em ti criava vida, que em ti sempre encontrou muito para além da efemeridade de um amor ou até mesmo de um sonhar. Partíamos mundos, derrubávamos aquilo que parecia inderrubável, amávamo-nos, e isso, jamais poderemos condenar, jamais poderemos esquecer. O tempo passou e tudo se acabou por perder, tudo acaba por ter um fim por mais que não o queiramos aceitar e até mesmo viver. Os sonhos já não eram os mesmos, tu sonhavas com a tua verdade e eu sonhava em querer ser um pouco mais, em viver muito mais do que aquilo que conhecia. Tudo se deixou de coadunar, o teu sorriso transparecia a vontade de partir e o meu olhar dava o consentimento, tu querias permanecer ali, estagnada num tempo e numa história que já nem um ponto final encontrava, eu, eu apenas pedia para me libertar das amarras e voar à minha maneira, à maneira do meu caminho. Foi um amor, mais um amor que deixou a sua marca, que deixou a sua recordação, uma recordação que não é dolorosa mas que me faz sorrir sempre que vejo e revejo o que um dia foi vivido e sentido em brincadeiras de crianças que já pensavam de uma forma bastante adulta, de uma forma que nunca mais irei viver igual. Hoje caminho, porque a vida é mesmo assim, um antagonismo de ideias e um eufemismo de amores falhados, a vida deu-me muito mas também me soube tirar aquilo que mais quis, viver um amor verdadeiro e bem mais sentido. Não penses que o nosso não foi assim, mas foi o nosso e isso muda tudo, dá-me nada. Agora apenas vejo aquilo que nunca vi, hoje sinto como nunca senti, como nunca vivi um amor com uma intensidade que é bem capaz de mudar tudo, de revirar o meu pequeno grande mundo. Quando será que um dia irás perceber que as palavras não são nada comparado com o sentimento que tenho por ti?...



Comentários

  1. Obrigado pelo comentário André (:

    Imagens tão românticas e um texto assim quase igual. Infelizmente tudo acaba, é verdade. Mas o fim simboliza o recomeço de algo novo. Abraço.

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  2. L-I-N-D-O!!!
    Meu deus,que perfeição de escrita!!
    Texto simplesmente puro e magnífico.
    Amei mesmo.
    Nunca me canso de ler os teus post =)

    Beijinho*

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  3. Estou sem palavras, para aquilo que li, esta maravilhoso *.*
    muita força

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