"Desculpem-me..."

Doem-me sempre tanto estas despedidas... estas partidas que me envolvem de um solidão que tão bem conheço. Doem-me os braços, doí-me o peito ao segurar um choro que não quero dar a conhecer. Doem-me estas esperas... esperar que o destino se lembre de mim, que o caminho seja traçado por um outro lugar - que me faça sentir que tudo isto vale a pena.
Doí-me o coração, talvez calado pela razão ou cansado de acreditar em sonhos - que hoje parecem tão vazios.
Doem-me as promessas... as fantasias que tudo vai mudar, que tudo vai ser como não foi ontem. Que todos vão, finalmente, conhecer quem eu realmente sou.
Doí-me ter de ir, ter de dividir o coração em duas partes, deixar tanto para trás, olhar em frente e limpar aquelas lágrimas que não consigo conter.
Sinto que não é este o meu lugar... ou então que não pertenço a lugar algum. E é isso...
Ser sentimental é ser incompreendido, é amar com tanta força que até faz doer, é sentir tudo com uma intensidade voraz, capaz de me empurrar para a saudade que sinto em mim.
Todo eu sou vestido dessa saudade... dessa falta que se entranha na minha pele, que me rasga por dentro, que me devora na noite em que procuro encontrar-me (por fim...).
Doí-me...
E eu sei que me dói, e essa dor não se vê... Sente-se!
Bem cravada nas memorias que guardo, no cheiro do mar que entra pela janela desta casa, no sol que me beija ao entardecer.
Por isso peço desculpa... desculpa por sentir com tamanha dor, por querer tanto e nada querer, por sorrir e dizer que está tudo bem e... mentir. 
Apenas hoje, ou amanhã talvez, vou continuar a sentir esta dor. 
Até quase esquecer. Até quase padecer. Até ao anoitecer... e cair num sono que ainda me permite sonhar.
Desculpem-me...


Comentários

  1. Que texto maravilhoso, parecia que estava me descrevendo...
    Você é demais!!!!!

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