"Não sei se já vou tarde..."

Não sei se já vou tarde... se tu já não estás neste mesmo lugar para me ouvires, para sentires tudo aquilo que tenho para te mostrar. Não sei se chego tarde para... te abraçar.
O tempo passa a uma velocidade que eu nem consigo controlar, os dias esvoaçaram pelos poucos segundos em que lutei. E eu errei! Errei ao pensar que o amor poderia sobreviver, somente, com a tua força.
Não quero acreditar que venho depois de teres partido. Que te perdi para um homem, para outros braços que te segurem, para outros olhos que te saibam ver como, realmente, és.
Não sei se já vou tarde.... se chego e tu já saíste por aquela porta, que já pegaste nas tuas malas e foste viver o que não vivias comigo.
Sinto-me tão fraco... tão despido de tudo agora que já não te encontro depois de entrar nesta "casa".
Digo que já não é a nossa "casa", são apenas paredes vazias, fotografias espalhadas, colocadas em molduras que tu escolheste - e que nem eu consegui escolhê-las contigo.
Confesso-te que me sinto perdido. Não existem amores como aquele que vivemos, aquele em que acreditamos. Até restar o teu próprio acreditar. Sem o meu. Ou sem o meu tempo.
Não sei se já vou tarde... mas se for, só quero que saibas que te amei. De uma forma muito minha, ou então desta forma errada que eu tenho de amar. 
Não queria chegar tarde... mas a verdade é que cheguei. Que te abandonei mesmo antes de sentir que me abandonaste, que me foquei em tudo, menos naquilo em que me devia ter focado (em ti!).
Não sei se este é o meu fim... ou então aquele final que nunca esperei acreditar. Talvez por pensar que os amores não têm de ser cuidados, ou que tudo o que ia para além de nós é que seria mais importante.
A "casa" está vazia. E era isto que tu sempre me dizias. E era para isto que tu sempre me alertavas. 
Não podemos viver sem amor, viver entranhados no trabalho, esquecidos de sonhar. Vivos, apenas, para nos "vendermos" em troca de quase nada.
Não sei se já vou tarde... ou então se cheguei cedo de mais. Cedo para ver que passei ao lado da vida, que não agarrei todos os sorrisos, que não senti tudo o que havia para sentir.
A verdade é que senti na pele o que era desistir, o que era partir e deixar neste meu coração tanta saudade. Tanta falta. Tanta dor.
Mas... eu não quero acreditar que é tarde. Ou então engano-me.
Enquanto eu te vejo partires para viver o amor. Enquanto eu fico agarrado a tanta coisa sem valor.
Enquanto ambos sabemos o que vivemos... e que eu deixei por viver,
Para me alimentar... de migalhas!



Comentários

  1. É bom ver que ainda existem pessoas como tu, escritores como tu. Espero que saibas o poder que as tuas palavras têm, o quanto cada palavra tua tem a capacidade de nos pôr a refletir durante uns longos minutos. Muitos parabéns, nunca ma cansarei de passar por aqui!

    ResponderEliminar
  2. Sim faz falta alguem com esta sensibilidade..gostei..foi a primeira vez que tomei contacto com o blog..Parabéns.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário