"Dói-me não abraçar-te..."

Doem-me os braços, aqueles que esperam o abraço -
O sentir do teu respirar no meu corpo, o sentir do teu coração em silêncio;
No barulho desta paixão que cresce em mim;
Neste sonho tão nosso que enlaça as nossas mãos, em verdade.
Dói-me o peito, sentir-te distante deste lugar onde estou,
Desta rua despida, esquecida de palavras que falam de sentimento.
Doem-me ter de esperar sempre mais um momento, 
Mais um instante para voar deste lugar em que me encontro -
Para ser teu por completo, para ser teu sem qualquer medo;
Para te amar em cada pedaço daquilo que és, daquilo que me dás.
Doem-me estas esperas que me pedem para aguardar,
Por um destino que parece adiar... a hora, o segundo, o respirar.
E o que eu, apenas, quero... 
Quero é poder-te ter sem precisar de rasgar a distância -
Quebrando com esta saudade que nos é tão nossa, que nos entranha na pele.
Que nos marca. Que nos define. Que nos sacia na noite.
Doem-me os braços, estes braços que foram e serão sempre feitos para te abraçar,
Para te proteger de tudo, para te dar o mundo.
Dói-me não abraçar-te... 
Agora... nesta hora... neste instante...



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