"Serás sempre tu"

Pode o mundo desabar, sermos muito menos que gente,
Ser o erro dormente - de quem erra: ao amar.
Pode a chama apagar, o lume deixar de queimar e...
O silêncio irromper na escuridão (deixando a saudade).
Pode o fado deixar de ser cantado, declamado por quem ama,
Ficando no calar do que se sente. Na abstracção das horas.
Pode o sorriso esquecer-te, a pele envelhecer por entre os dias,
Podem as noites ser frias e... o olhar perder-se em utopias.
Pode este meu peito deixar de bater, ser o eu que quero e...
O que não quero ser.
Podem as fantasias esconderem-se em passados,
Os fantasmas agarrarem o meu corpo, rasgarem a minha história.
(Nem sendo eu mais memória, não sendo eu... mais eu).
Pode o oceano separar o nosso coração,
Ver a imensidão trespassar a minha alma, roubando a minha calma,
Empurrando-me para a loucura.
Pode já nem existir a ternura, os meus passos ficarem lentos,
Sendo eu fragmentos - de tudo o que não fui.
Pode a morte chegar...
 Levar-me. Atar-me. Perder-me.
Ficar naquilo que não conheço, ser apenas um descomeço,
Sendo um simples... fim.
Pode a lua ter a cor marfim, eu adormecer sem ti no meu peito,
Posso eu ser apenas imperfeito.
Mas serás tu e sempre tu... quem eu amo.



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