"Ser teu... sendo livre"

Nunca pensei ser teu, muito menos de alguém que me amasse a alma - não só o corpo.
Nunca... nunca um dia imaginei ser livre, mesmo estando agarrado a ti,
Na força que cresce em simples momentos: momentos vividos, por nós.
O tempo foi passando, talvez na calma dos seus dias em que pedia que chegasses,
Que roubasses o meu coração, que continuasses a fazer tremer... todo o me sentir.
Eram noites, noites e dias em que amava uma imagem tua, um simples sonho,
Uma real utopia - que sempre conjuguei como impossível (como inatingível ao meu ser...).
Amei-te muito antes da tua chegada, antes de abeirares a tua pele à minha,
Em eufemismos de amor (aqueles que me dissipavam a dor de não ter: o sonho).
Corri. Foram tantas e tantas vezes em que corri no desconhecer de mim mesmo,
Na saudade que sentia no peito - uma saudade que nunca soube explicar...

Hoje sei... Sei que eras tu que faltavas, que sempre foste tu que esperei,
Na metade que fui antes da tua vinda, a metade que abrigava o meu corpo.
(Um corpo retraçado pelo medo, pela fome de viver...).
Invadiste tudo o que sempre foi teu, tudo o que tinha em mim e que largava ao vento,
Às tempestades de vontade - uma vontade que era moldada pelos traços do teu rosto.

Agora... sendo teu, sei que sou do mundo, das recordações que marcam a alma,
Que nos revelam que somos complementos desta vida, 
De uma vida passada em que nos encontramos,
Para hoje nos termos, para hoje sermos...
Eternamente... NOSSOS.


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