"Entrelaço"

Dispo-me e mergulho no silêncio deste quarto,
A vontade habita o meu peito e eu, eu, entrego-me ao desejo de ti,
Deixo-me mover num circulo sem saída,
Num pensamento presente que dura, por aqui, uma vida.
A chuva bate forte nos vidros embaciados deste meu porto de abrigo,
Dou-me ao sonho veloz que, em tantos dias, projectei contigo,
Sinto-me como o meu próprio inimigo,
Sempre que me lembro de ti e faço-te presente em mim.
Talvez a chuva sirva para me recordar daquilo que não vivi,
De quem conheci, de quem me esqueci,
De quem me marcou e de quem tatuou profundamente o meu sentir,
Tu.
Tu, que te agarras à minha pele,
Que fazes de mim o teu papel,
Eu, que te espero sem cessar,
Que corro sem me cansar,
Que minto ao não te amar.
A verdade é que espero por um sinal teu,
Um simples recado desvendado num esperado véu,
Tu que és bem mais que um simples sonhar,

Que me invadiste, que persististe e que me fizeste ficar...em ti...




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