"Do Amor"
Falar
de amor é falarmos daquilo que somos, falarmos de tantos caminhos trocados, de
becos sem saída, de feridas que nos marcam a pele e nos condenam a receios e
medos de errar. O amor assume a centralidade do que vivemos, das nossas
vitórias e derrotas, dos nossos sonhos e, dos piores pesadelos que podemos
sentir no peito. Amamos sem querer e, é sem querer, que tudo acaba, que tudo se
esbate e que, mais uma vez, lamentamos a ausência de amor. O amor é dos fortes (Sim! Dos fortes!) daqueles que se entregam às balas sem receio das marcas, sem
receio das feridas que ficam cravadas na carne, na alma. Amar é e sempre será
mais do que dizer, é mais do que uma série de frases bonitas e um ramo de rosas
entregues em casa. Amor é viver noutro lugar, noutra atmosfera, num mundo em
que, de dois são um e, desse um, são três (eu, tu e nós). Certamente o amor já te
causou insónias, noites mal dormidas em que a cama é remexida, é revirada numa
mistura de imagens que perduram, que se entranham na alma, escorrendo pelos
olhos, exprimindo-se num silêncio forçada de uma alma que grita
desenfreadamente. Amamos o que nos permite amar, quem, num simples olhar, nos
rouba metade de nós, nos assalta o coração e faz dele o seu lar, habitando em
horas tardias, alimentando-se da nossa capacidade de sonhar. Amar não é um
simples “Amo-te”, uma série de verbos conjugados em músicas românticas deixadas
com frases bonitas que sustentam toda aquela imagem de perfeição. Amor é dar a
mão, no escuro, naqueles caminhos íngremes que parecem ser intransponíveis, amar
é cuidar mesmo que, o amor, parece adormecido dentro de nós. Amar é e sempre será
lutar, sem vírgulas, com interrogações e anseios, com medos infundados e
inseguranças parvas. Amar será sempre uma extensão de nós, aquela que nos faz
trepar até ao cimo da árvore para apanharmos a melhor fruta e não nos deliciarmos
com a que se encontra caída no chão. Amar é sempre mais, aquele mais que não se
explica, aquele mais que, apenas, se sente...isso mesmo, apenas se sente...

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