Ela, Nele...
Debruçada sobre o ombro dele olhava
o mar, o sol esbatia-se no horizonte e o calor perdurava naqueles dois corpos. Eram
sedentos um do outro, amantes sussurrantes que se tinham, que se tocavam, que
se amavam no silêncio daquele areal. Tivera ele sonhado tanto com ela, noites a
fio, momentos e fragmentos que coleccionava, em que respirava todo aquele
sentimento que lhe tivera invadido o peito. Sentira cada filamento da pele
daquela mulher, o sabor, o suave aroma doce do seu cabelo, sentia o sorriso
dela espelhado no seu olhar. A vida tivera feito cruzar dois destinos, dois
caminhos, uma só vontade. Era um poço de vaidade, um homem que se prendia
àquele corpo, àquele rosto mas, sobretudo, àquela forma de ser. Não lhe pedia
perfeição, eram ambos imperfeitos conjugados num verbo mais que perfeito, numa
junção de loucura e segurança, de querer, de confiança. Perdiam-se um no outro,
no meio da multidão e, encontrava-se às escondidas, para viver todo aquele
sentimento até à despedida, até ao momento em que se voltavam a encontrar. Não
queriam mais que tudo aquilo que tinham para dar, queriam viver, sentir,
agarrar, explorar, ficar, cuidar, amar, não apenas uma cama, um corpo saciado,
uma aventura efémera. Ambos sabiam o que estavam ali a fazer, aquele homem e
aquela mulher, aqueles dois, aqueles um só. Ele, ele não era mais que um pintor
dos traços dela, das expressões que viu durante meses, anos até, construindo um
momento que acabou por chegar. Ela, ela era cega se não o visse, se não se
lesse, em cada texto dele, em cada frase que escrevia narrando o tanto que
crescia dentro de si. Foi então que se encontraram, que ficaram, que tentaram. Vivem
um no outro e, ao mesmo tempo, vivem em si mesmos. O amor tem de ser mesmo
assim, livre na sua essência e selvagem na sua força. Depois da noite quase
cair, do frio se fazer sentir, despediram-se mais uma vez, ela contou até três
e, fechando os olhos, beijou-lhe nos lábios e ele, em seguida, deu-lhe um beijo
na testa e segurou-a entre os seus braços, aquecendo-lhe o corpo, esperando que
ela sentisse tudo o que ia nele bem no seu coração...
Para
tudo ser tudo há que dar tudo como se nada mais fosse existir...

Comentar? Mais palavras? Para quê? Perdias depois de percorrer a frase: « Não lhe pedia perfeição, eram ambos imperfeitos conjugados num verbo mais que perfeito...»...
ResponderEliminarLindo!
Um beijo :)
Palavras para que?! Escreves muito bem, escreves com alma, com coração, com paixão. É magico ler-te, faz nos criar histórias, ver momentos, faz nos sonhar e isso nem todos possibilitam aos leitores, mas tu consegues!! Consegues passar esse paixão, esse amor, esse desejo, consegues fazer-nos sentir cada palavras um intensidade. É fantástica a tua forma de escrever, cativas. Um beijinho
ResponderEliminarParece que entro dentro do texto e consigo sentir tudo o que escreves. Está mais que lindo. Parabéns :)
ResponderEliminarÉ mesmo verdade... Bem dizem que quem ama e não pensa que é para sempre, nao vive as coisas verdadeiramente... Mas, nem sempre é fácil perder os medos e não pensar tanto no futuro...
ResponderEliminarBom fim de semana!