"Desculpa-me"
Os dias vão passando na calmia do
coração. Fiz-me acreditar, a mim mesmo ,que não serias uma doce ilusão, uma
imaginação que me fazia ter-te, nos meus braços, no me corpo. Confesso-te que
em tantas noites te chamei esperando que ouvisses que, em tantos dias, te escrevi,
te desenhei em rabiscos meus, em segredos tão bem guardados. Enganei-me no
sonho, fiz dele realidade, uma realidade que nunca chegaste a ver. Errei,
errei mas não foi ao querer-te, errei ao nada mais fazer, ao ver-te ires, por
outros caminhos, a brilhares aos olhos de outros homens. O medo também faz
parte de mim, faz parte deste homem que escreve, diariamente, de amor, de
lutas, de vitórias. Não poderia falar mais do que o tanto que falei, aquele
tanto que não sei se leste, não sei se entendeste, não sei sequer se sentiste. Estupidez a minha querer
tudo de forma tão intensa, não conseguir viver de metades, não conseguir ser um
aventureiro sem amarras que me façam ficar. Fiquei, algum tempo confesso, tempo
suficiente para tu entenderes tanto de mim, para tu veres que eu te queria, não
de forma comum, não de forma igual a tantos outros que acredito que te queiram.
Eu apenas te queria à minha maneira, não apenas o teu corpo, a tua presença,
queria-te a ti, sem divisões, sem multiplicações, queria-te sempre,
independentemente do dia ser bom ou mau. Mas, como há sempre um “mas”, a chama
foi apagando, tentando eu atear todos os dias, tentando revelar-te mais um
pouco, confessando-te secretamente, de forma diferente, aquilo que
representavas para mim. No final, mesmo eu falando que não existem pontos
finais, os mesmos aparecem e tenho pena, que tendo pessoas tanto para dar, não
dão, não vivem, não perduram. Hoje, hoje
posso ver que serás sempre uma doce ilusão, que me fez sorrir, que me fez ser
melhor, que me fez crescer nesta saudade de não ter, neste acreditar nos olhos
que não querem ver, neste momento marcante que me marcou sem tu saberes. Agora,
agora despeço-me de ti, talvez para sempre ou, quem sabe, talvez encontrando-te
numa outra altura, naquela em que, finalmente, encontrarás tanto de ti naquilo
que te escrevi...um dia...

wow, muito bonito o que escreves. É de uma sensibilidade extrema que nao se vê em qualquer pessoa, nao se le em qualquer escritor, apenas tu, consegues escrever simples palavras rodeadas de sentimentos intensos e verdadeiros e isto sim, é escrever de alma e coração. Para alem do texto gostei imenso da frase da imagem, faz nos reflectir... um beijinho
ResponderEliminarR: Tenho de agradecer pelas palavras, pela interpretação, pelo sentido tirado, pela leitura feita nas entrelinhas. Confesso que fiquei admirado com tais comentários, com tais palavras que se encaixam numa sinfonia muito boa de ser lida após um dia esgotante.
ResponderEliminarMuito Obrigado :)