Dá-me um pouco mais...de ti.
Desejo-te não nego, desejo-te com uma
veracidade intensa, dispersa, presente, agarrada a mim mesmo. Desejo-te como
imagem translucida, como clarão em noite fria de inverno. Não te quero como
mulher dos meus caprichos, como corpo sem mente, como mente sem sentimento. Quero-te
por tudo, por aquilo que és e não pela fraca força do teu lutar, daquele que
nem sinto, daquele que nem consigo enxergar. Não sou eu homem de procurar,
foco-me no amor e vou, vou por aí ou não fosse, eu, um corpo livre, selvagem. Quero-te
e querendo-te não te desejo, desejo sim o teu coração, aninhado no meu, no dialecto das nossas frases, na intempérie dos sinais que são largados ao vendo, percebidos por um intelecto que faz parte de nós. Não falarei eu em nós porque,
será que algum dia o fomos? Confesso que tantas noites sonhei que sim que... em
tantas horas almejei-te, amei-te, silenciosamente, no desconhecido da palavra
presente. Quero-te, não de hoje e muito menos do dia de ontem, não sou de
fracos amores, de efémeras paixões. Sei bem o que é esperar, o que é guardar, o
que é cuidar, de cada memória que me assola a alma, de cada vontade que te
torna minha nem que seja por breves instantes. Não sou de amar pouco, pode isso
ser a minha maior virtude mas, com certeza, é a minha pior arma, aquela que
leva apontada de encontro ao meu peito, aquela que não encontra justificação no
silêncio do meu pensamento. Como sempre ouvi dizer, os sentimentos não
encontram resposta, eles são como perguntas retóricas, daquelas que fazem
surgir mais, daquelas em que nos perdemos para, mais tarde, encontrarmo-nos em
nós mesmos. Desejo-te sim, desejo-te pelo que és, por aquilo que me transmites,
no arrepiar da pele, na vontade de ser o teu homem, na vontade de ser guerreiro
a teu lado mas... Há tantos “mas” no amor, neste sentimento que invade, que
fica, que dá vontade, vontade de ter, de beijar, de despir, de cuidar, de
permanecer. Desejo-te como minha mulher e... engane-se quem não sabe esperar, a
espera compensa, a espera é e sempre será propensa a um destino que faz cruzar.
Desejo-te, quero-te mas, não no silêncio, não na indiferença, não no ciúme. Apenas
te desejo aqui, bem perto de mim porque, se é para vivermos de amor, que
saibamos dar os dois de nós, que sejamos nós apenas sós, que nada mais valha. Depois
de estarmos juntos, podemos sempre seguir os nossos caminhos porque,
continuaremos sempre a pertencer à mesma pessoa, à liberdade de nós mesmos...

Com a primeira frase conseguiste-me perder as tuas palavras, esse sentimento tão teu e tão verdadeiro que te soa de dentro fez-me lembrar a minha pessoa! Está maravilhoso!
ResponderEliminarDê uma vista de olhos no meu cantinho, beijinhos da nês!
Que texto verdadeiramente genuíno. Adorei meu querido :)) <3
ResponderEliminarNão é necessário dizer muita coisa.. Está incrível, uma vez mais!
ResponderEliminarBeijinho*
Todos os dias entro aqui, leio os teus textos e todos os dias me identifico com o que escreves. Nunca sei o que comentar, o que dizer, a não ser que me roubas as palavras.
ResponderEliminarUma vez mais... Arrepio :) Escreves com o coração e é brilhante a forma como as palavras ganham uma união tão sentimental. Gostei muito. Continua.
ResponderEliminarElsa
Mais uma vez obrigado pela visita Elsa.
EliminarUm Beijinho :)