"A marte"...

Não sei mais se a vontade é vontade ou irrealidade do meu olhar. Busco ar, mergulho em ti, em nós, naquelas imagens que perduram, num oceano de desejo. Tudo parece igual, a terra por cá tornar-se molhada, encharcada de sonhos, enxergada de olhares. Amo-te, no complexo dos dialectos, nas prosas e poemas, em melodias dicotómicas e antagonismos de sentimentos. Amo-te como expressão inacabada, como início do fim, como final inesgotável de um riacho que não encontra fim. Preservo-te em mim, como diferença vivida, como promessa cometida, como presente, ausente, carente, eloquente, dormente. Deixo-me ir por este sentir, por esta fina camada de sono a me cobrir, descrevendo-te, em cada linha, em cada traço pincelado num doce travo de erva e jasmim. És assim, uma utopia em hora tardia, a insónia que me corre nas veias, a pura adrenalina do que se chama viver. E, depois de tudo, continuas a correr, no pensamento, no corpo, no respirar. És ar, ar daquele mesmo lugar, da brisa com cheiro a maresia, da noite que acaba tardia, daquela paixão que me despertas-te um dia...



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