O teu rosto avermelhado...

As luzes de Natal entrelaçavam-se no meu olhar, a pressa era de chegar, de estacionar o carro, junto ao rio, para te encontrar. Percorrera quilómetros a fim de ver, contigo, o Natal, para partilhar um café quente com travo a baunilha, para andarmos que nem loucos pelas ruas de Lisboa. O teu sorriso cravava-se na memória e, o desconhecido de tudo aquilo, a mim, causava uma vontade maior de te ter, nos meus braços, no meu corpo, nos meus lábios. A baixa estava iluminada, as pessoas vestiam casacos e cachecóis que lhes aqueciam o corpo e eu, eu, ali deambulava, procurando o maior ponto de luz, aquele que me chama, aquele que não me ofusca, apenas, o olhar. Vi-te chegar, em passos silenciosos e, dizendo-me um simples “olá” virei-me vendo o teu rosto. Tinhas ele avermelhado, como sempre, pequenas rosas que te faziam criar ainda mais encanto, que me faziam, por momentos, perder o diálogo. Fiquei segundos a contornar cada linha da tua expressão, cada fragmento que, para mim, faz toda a diferença. Perdi a noção de tempo, perdi a noção do momento e, aquele lugar, começou a ser o cenário principal de mais um capítulo, de mais um passo, de mais uma distância que se quebrava desde a última vez que estiveste pela nossa terra com cheiro a mar. Então, e depois daquele intervalo de palavras mudas, respondi ao teu sinal, entrelacei os meus dedos nos teus e, como se tivéssemos falado uma vida inteira, roubei-te um beijo, aquele beijo há tanto adiado. Foi então que sorrimos compreendendo tudo aquilo e encostando, a testa, um no outro, sentimo-nos verdadeiramente vivos, fomos por momentos os amantes de Lisboa...


Comentários

  1. Um conjunto de gestos que foram retribuidos pelo beijo.
    Adoro a voz do James Arthur !

    Acerca do teu comentário, é bom saber que gostaste. No mundo do mercado de trabalho há muitos preconceitos, mas há que fazer frente isso.

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  2. Que texto delicado. Fiquei imaginando dois namorados de mãos dadas, passeando pelas ruas de Lisboa.

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