Momentos desnudos...

Nesta noite desnuda-te, desnuda o meu corpo, no meio de lençóis e vontades, do cheiro de uma lareira acesa. Deixa-te ir, perder-te neste momento, fragmento de nós mesmos, multiplicidade de almejados desejos vividos mesmo ali. Segura-te firme, ancora-te a este porto de abrigo, nesta casa feita de madeira firme, neste lugar distante de tudo, tão presente num encontro que perdura pelos segundos gastos por nós. Fica, beberemos um copo de vinho partilhando mais um pouco do nosso íntimo, mais um pouco das mordidas suaves que deixam marcados os nossos lábios, que deixam a vontade de voltar outra vez. Agarra-te ao seguro, aos braços que te apertam, que te envolvem depois do prazer numa cumplicidade tão nossa, num silêncio em que o olhar fala e em que, cada poro da nossa pele, exprime o desejo saciado a dois. Por onde quer que vás seguiremos os nossos caminhos, de forma livre, desimpedidos, porque há coisas que nos pertencem mas, nem por isso, essas coisas têm de ser diariamente nossas. Amanhã encontrar-nos-emos, de novo, no mesmo lugar?...



Comentários

  1. Gosto sempre de te ler, e este texto não foi exceção :)

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  2. Não podia concordar mais. Poucos conseguem realmente ver o que somos, o mundo que está dentro de nós. Um beijinho*

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  3. "há coisas que nos pertencem mas, nem por isso, essas coisas têm de ser diariamente nossas" tão absolutamente verdade. :)

    Boa semana, beijinho

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