Fora d´horas...
As mãos escorriam pelo corpo
fundido num desejo sussurrante. Eram beijos rasgados com sabor a desejo, roupas
espalhadas, uma cama desfeita, uma vontade satisfeita. Contornos pintados numa
tela com cor de sangue, com reflexos e devaneios de duas mentes depravadas que
se entregavam ao desejo sem o reprimirem. Os olhares penetravam-se em espasmos
mudos e apertões que deixavam marca, que os marcavam nas tatuagens bruscas e
brutas que lhes faziam querer mais, que lhes faziam desejar mais. Os dias eram
contados pela vontade de percorrer quilómetros a fio, distâncias que nada eram,
intervalos que os faziam rasgar a pele, atreverem-se a ser ousados. Eram livres
num acto apenas deles, numa mistura de secretismos e de antagonismos que lhes
conferia uma identidade tão própria. Ali despiam-se, largavam-se as rotinas e
entregavam-se ao prazer do corpo, sem moralismos, sem falsas modéstias de quem
desconhece o que é agarrar um corpo explorando o que vai para além do mesmo. Eram
trovadores de um conto sem ponto, entre as taças de vinho e uma mesa composta
esperando os ver sentados, deliciavam-se naquele sofá, naquela sala de um hotel
qualquer, em que se perdiam um no outro, em que descobriam a melhor forma de aperfeiçoar
uma paixão...

perfeito.
ResponderEliminarMagnífico, como todos os outros!
ResponderEliminarSuch a good taste... :)
ResponderEliminarSó vou repetir o que todos dizem: escrita maravilhosa e gosto musical fantástico!
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