Uma paragem, uma partida ou até mesmo uma despedida...

Hoje deixo-vos o espelho da minha alma, partir ou ficar? Não se sabe, apenas um intervalo longo ou um até amanhã, quem sabe?...

Réstia de tudo, pedaço de nada que fica sem tocar, que marca de uma forma estranha entranhando-se na pele, agarrando-se à alma. Falam que se chama saudade, mas que saudade é esta? Que sentimento é este que se desenvolve de uma forma tão peculiar deixando nas pessoas o sabor amargo de uma partida? Tudo se torna insubstituível sempre que é importante, cada momento é único, cada sentimento é especial e cada pessoa não tem outra igual. Tudo adquire uma forma, tudo desperta uma emoção. Felizes, todos queremos ser felizes, mas parece que nem todos conseguem chegar ao que tanto querem, que há quem batalhe uma vida inteira recebendo os restos em vez do que tanto merecem, daquilo que tanto proclamam existir. Acreditar no sentimento é acreditar nos sonhos, naqueles mesmos que nos invadem a alma, que nos aquecem o coração em noites alegres que nos possibilitam ser felizes nem que seja por um minuto, por um segundo, num abrir e fechar de olhos. Fala-se tanto de verdade, de sentimento mas o que se procura? O que as pessoas procuram de verdade? Sinceramente nem sei responder, vivemos na aparência, no medo da palavra dos outros e isso faz-nos perder o que tanto queremos, isso faz-nos viver numa vida que nem é a nossa, que nem contempla as nossas vontades. Hoje é um dia desses, um dia que fica assim, no impasse, nestas dúvidas que persistem em mim, que nem sequer me dão alento para um amanhã que se torna tão imprevisível como o partir de um sentimento que é tão forte. São assim os dias de quem se torna humano descurando a máquina fria do sentimento que hoje muitos conhecem, aquele sentimento fabricado, calculoso que se perde a cada hora, que se perde sempre que a pessoa já nem faz mais falta. Falo de amor, falo de amizade ou então não falo em nada, porque o amor, o amor de verdade, fica não vai e a amizade não deveria funcionar por períodos mas sim por uma vida inteira. Perco um pouco da esperança que tinha, perco um pouco do meu acreditar e isso custa, custa porque vejo que perde-se a sintonia sempre que se vive de amor, sempre que se acredita na pessoa certa, no momento certo, num amor real e duradouro. Se calhar sou eu que estou enganado, se calhar sou eu que escrevo estas linhas lidas por ninguém acreditando serem lidas por muitos que comigo partilhem do sentimento, da realidade e da verdade desta vida. As mãos parecem não querer mais deixar palavras, não é cobardia, não é desleixo, apenas desilusão, uma desilusão que faz parecer que tudo é em vão, que “ganha” nesta vida quem mais engana, quem mais mente. Não sei se hoje se procura verdade ou mentira, não sei mesmo se hoje se quer amor ou um sentimento que nos preencha o ego mas que nem nos aqueça o coração. Se é desta forma prefiro ter a história do meu ser não o engano de um capítulo escrito, sentido, amado e depois perdido nas horas e nas partidas de quem prefere quantidade e não qualidade. Não engano-me, mas também não sou capaz de enganar, amar para mim ainda é algo forte, amar para mim ainda é algo que me faz sonhar. Sou diferente? Sou igual? Não sei, apenas sou eu e disso não tenho menor dúvida, o que quero em mim tem força, o que sinto em mim tem enorme significado, nunca amei por amar, nunca fui de representar. Enganos e desenganos, mas o que será real nestes nossos dias? O que será verdadeiro neste nosso caminhar? Amizades? Amores? Temos tanto na nossa mão mas o mesmo tempo não temos nada...






Os finais chegam quando temos a necessidade de acreditar em novos começos...



Comentários

  1. Fizeste-me viajar com estas palavras.
    E adoro essa musica :)

    ResponderEliminar
  2. Penso que qualquer sentimento é complicado de definir :*

    ResponderEliminar
  3. Muito obrigada :)
    E mais uma vez tens um texto fantástico. Acho que descreves-te da melhor forma a saudades. Muitos parabéns :)
    beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Que texto apaixonante. É muito bom ler o que escreves.

    ResponderEliminar
  5. (vou de forma rápida comentar o melhor que conseguir...)
    Não! Não és o único a pensar dessa forma e pelo menos tens aqui uma pessoa que lê, interioriza e reflete sobre tudo o que escreves...
    Lanças-te aqui uma série de perguntas, complexas, que ainda não fui capaz de "digerir" e talvez nem eu, nem ninguém será capaz de dar uma resposta com certeza intemporal, pois o que parece fazer sentido hoje, pode não fazer sentido amanhã; e o que fazia sentido ontem pode não fazer sentido hoje ou amanhã!
    Mas a vida é assim mesmo! As verdadeiras pessoas que vivem de forma sentida, não são materialistas, vivem de sentimentos e de tudo o que a vida lhes pode trazer (se bem que quem é mais materialista, pode acabar por vingar mais na vida... sendo preciso cuidado com estes!).
    O que é verdadeiro? Não sei responder com uma certeza! Mas a certeza tenho de uma coisa! (como já me disses-te) Vive sendo tu mesmo, pois ai garantes a verdade dos teus sentimentos!

    Um grande abraço e obrigado pelo teu apoio de sempre!

    ResponderEliminar
  6. Olá, á muito que aqui não vinha. Eu própria tenho andando bastante afastado do blog, faltam-me as forças para escrever, é como se tudo estivesse perdido o sentido.
    Percebo cada palavra por ti redigida..
    Fiquei foi sem perceber uma coisa, vais abandonar este teu doce mundo por um período de tempo ou foi um profundo desabafo?
    As maiores felicidades*

    ResponderEliminar
  7. Sinto-me obrigada a render-me ao que dizes. Carregas tanto sentimento nas tuas palavras. Sabes, quase que me sinto obrigada a jurar-te isso. Está tão bonito, e eu compreendo tão bem. Estou vazia de formas para te demonstrar o meu encanto por este texto. (Espero ter-me feito entender, é muita coisa para processar e as palavras são escassas nestas situações).
    Beijinho.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário