A história que não quero viver...

Arrastava-se pela imensidão de um silêncio perturbador, esfregava os olhos, naquela mesma sala escura, para deste modo, enxergar a vida que um dia lhe passou ao lado. Perdeu o amor, perdeu a vontade de lutar e entregou-se ao fracasso das suas próprias lutas, do seu respirar restam as escaras que lhe enchem o corpo e o bater do coração já nem se torna sentido, já nem existe mais. Esqueceu-se de si no momento em que deixou de acreditar na força que sempre tivera, agarrou-se a algo, aquele algo que se tornou o nada que ele agora tão bem conhece, que faz parte do que se pode ainda chamar de vida. As lágrimas secaram e não passam de mais uma simples utopia que já nem se lembra de sentir, o arrependimento deu lugar ao perder e o amor que antes era a sua forma de vida é aquilo que o mata, prematura e silenciosamente naquele lugar que nem ele sabe a cor das suas paredes. Viveu dias felizes em que o sol encheu aquela casa de cor, em que os sonhos estavam tão vivos e despertos dentro de si, errou, errou naquela mesma hora em que entregou o coração a quem queria apenas a sua pele, entregou o sentir a quem no fim queria somente saciar o desejo num corpo novo, num sorriso bonito. As horas passaram e o que restou? O vazio, a ausência de tudo, uma réstia de nada que o sufoca mesmo sem lhe tocar, que o faz cair mesmo sendo contra a sua vontade. De lutador a vencido, de apaixonado a esquecido naquele lugar, naquela fracção de um tempo em que amar é passado e esquecer é o presente que vai vivendo. Por isso, sou assim, pássaro livre da minha própria história, crio a minha felicidade à medida dos meus sonhos, guardo o coração e entrego pequenos fragmentos do que sou, amo, amo com intensidade mas respiro antes de me sufocar nesse amor. Hoje sou assim, não quero perder tudo, quero viver, aproveitar e acima de tudo amar quem me ama, entregar a quem se entrega sem pudores, repletos de sentimentos, sabedores de um amor e não de uma representação do mesmo...



(Peço desculpa aos leitores de não conseguir responder logo aos comentários que tão carinhosamente vão deixando neste meu cantinho, espero vos responder o mais brevemente possível e não se esqueçam de ser felizes, SEMPRE)



Comentários

  1. Olá Querido André,

    Vou te tratar por tu, porque é mais fácil, a comunicação. Caso, não gostes, por favor, diz-me.
    Em relação a mim, poderás fazer o mesmo, se assim o entenderes.
    Li o teu texto na íntegra e acho que te estás a renovar, a encarar a vida com outros olhos.

    JÁ NÂO ERA SEM TEMPO.

    Tu és sensível e inteligente e só não mudam os burros e a Idade Média já lá vai há uns séculos.

    Não acredeites no: eu amei-te, eu amo-te e amar-te-ei para sempre (isso é letra de fado).

    Tu dizes "EU QUERO VIVER". Muito bem. Nota 20.

    O PASSADO FICA PARA A HISTÓRIA.

    Beijos carinhosos de luz.

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  2. Não tens de viver isto desta forma.
    Não tens de sofrer assim para continuares a viver a tua vida.
    A vida é feita de escolhas. Podes escolher sofrer para o resto da tua vida ao pensares na pessoa que perdeste,ou perceberes que nao vale a pena "chorar sobre leite derramado",e prossegues a tua vida.
    Levantas a cabeça e prossegues.
    Claro,vai haver uns altos e baixos,mas se fores forte e pensares positivo eu sei que consegues sarar esse coração partido,e que essa dor vai diminuir do teu peito.

    Beijinho* grande,e muita força!! =)

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  3. Em 1º lugar gostaria de dizer que não tens que responder a todos os meus comentários, venho aqui deixa-los porque gosto do tipo de texto/post's que escreves (e à semelhança do que comentas-te no meu blog... Eu também me revejo em parte neles, pois parece-me que em ambos os lados se viveu uma história de amor não totalmente correspondida, se é que não foi totalmente não correspondida!).

    Como tu o escreves-te és uma pessoa apaixonada e por isso escreves o que escreves e vais "sofrendo" por um amor que não existe, mas que "te derruba" (utilizando um pouco as tuas palavras).
    Como eu escrevi no meu blog (e como me tinha dito), viver o sofrimento de uma amor que não existe é viver o prazer de amor! Pois a única forma de viver esse amor é de forma sofrida...
    Pode não haver uma solução ou cura para esta doença! Talvez só o cair apaixonadamente nos braços de alguém que nos ame de forma correspondida...

    Não sei se tu já conseguiste superar o que (aparentemente) vives-te ou se estás apenas convencido (falo um pouco por mim, que tive uma "grande recaída", apesar de pensar de pensar que estava tudo "sei-controlado").
    Como deves entender, para te dar concelhos, não sou a pessoa indicada nessa área, por isso é como escreves-te aqui; viver de forma apaixonada e amar aqueles que nos amam...

    Acho que não é preciso escrever que mais uma vez gostei do teu post, se bem que tenho que ler atenciosamente cada frase que compões, pois (sinceramente) por vezes compões um "ramo de flores" mais denso para que se possa ler muito facilmente. Mas isso é um estilo que é teu e fá-lo muito bem, pois até ao momento fico admirado pela forma como consegues ter tanta imaginação para conseguir conjugar assim as palavras sem te repetires, e transmitindo a mesma ideia numa só frase. Mas que depois se "encaminha" e evolui com o resto do texto...

    PS: 1. Peço desculpa se fiz uma má interpretação do texto e se invadi a privacidade...
    2. Só venho aqui, ao teu blog, quando tenho realmente tempo para dedicar a atenção devida a estes texto, por isso não te admires de alguma dia não conseguir vir aqui ler os que ficaram em falta!

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