Falta-me respirar...

Não entrarão as palavras cinzentas, apenas ficará aquilo que de bom ainda existe, aquilo que ainda vou acreditando e sonhando com o passar das horas e o morrer de um corpo que nem acredita mais naquilo que vê. O passado esqueceu-se no meio das recordações recentes e o que antes era visto agora é tapado pelo véu que se teceu entre nós, entre os nossos corações. Procurei o que nunca existiu e a história foi uma irrealidade vivida e sentida por quem se dedicou a um tempo que seria o indicado para partir. Os olhares, as palavras e os sentimentos ficaram distorcidos, agarrados aquilo que se chama de destino, aquele mesmo destino que seguiu o seu próprio caminho independentemente da vontade de um coração e de um viver diferente mas ao mesmo tempo igual ao de todos os outros. Hoje apenas sou o tudo do nada que um dia existiu, sou a força da palavra, a dor da perda, o silêncio da despedida e o sorrir da história, sou o tudo de um abraço e o nada de uma lágrima derramada no momento em que a injustiça se apodera de tudo, restando o vazio da mente depravada dos humanos que não conseguem pensar e sim apenas agir na base de suposições vazias e de histórias irreais. Não perco assim aquilo que me vai alimentando, e o coração, apesar de bater mais lentamente, não irá parar porque não o permito, não permito a mim mesmo desistir sem antes lutar, sem antes afastar por completo tudo aquilo que aprisiona e que traça caminhos errados levando as lutas inglórias de uma vida. Falo ainda de amor, porque na realidade não me consigo dissociar dele, não consigo o abandonar por maior que a vontade seja de o esquecer, de o aprisionar. Da irrealidade destas palavras aparece sempre aquilo com que nos identificamos, aquelas fracções do tempo e da vida que tão fortemente tentamos esquecer como remédio para as maleitas do nosso coração e da nossa consciência que vai atravessando várias fases, vários acidentes de percurso. Hoje apenas fica aquilo que ontem já existia, hoje apenas resta ancorado a mim o que ontem foi construído, porque a força derruba muitas barreiras mas nunca consegue fazer com que se esqueça um grande amor, um amor que continua vivo dentro de nós, dentro da nossa própria história...

Comentários

  1. claro que sim meu caro andré, que palavras tao doces *

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  2. Quase que disseste que as minhas palavras não interessavam. :o Enfim.

    Todos nos acabamos por agarrar ao destino, quer queiramos ou creiamos. Eu acho que é assim. Abraço, André :)

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  3. Em um turbilhão de sentimentos a partir da leitura de seu post... obrigado por isso!

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