Instantes de lucidez...

Passava por entre os corredores daquela casa sozinha, despido de mim e de roupas que não me tapavam a pele o sorriso permanecia, aquele mesmo sorriso que outrora se tinha perdido. O amor estava distante de mim, estava submerso naquela neblina que ali permaneceu, agarrada a mim, agarrada aquela casa tão diferente de tudo o que um dia ela foi, o que um dia eu fui. Tocava nos retratos que faziam parta da história que um dia ali surgiu e que acabou por padecer no momento em que o amor se fez esquecer e as cortinas da casa se fecharam para os raios de sol que ainda transpareciam por entre elas. No meu olhar permaneceu o teu e nas roupas ficou o cheiro do perfume que juntos compramos naquela viajem que pareceu mais um sonho, que hoje recordo mas que não consigo dissociar de uma irrealidade que hoje vivo. Falavas de um amor de uma vida e eu da paixão dos corpos despidos e das promessas repetidamente feitas na beira daquele riu que sorrateiramente passava em frente à porta desta nossa casa. Foi o perder de tudo, foi o reaprender a viver sem o amor mas com este sempre a teimar em comandar o que ainda sobra desta vida tão vazia de tudo, tão cheia de nada. Fecho os olhos e penso que ainda estas cá, toco as teclas deste piano que antes eram dedilhadas apenas por ti, apenas pela sensibilidade de alguém que sabia e que me ensinou o que era o amor...Tu foste e acabaste por levar o que de melhor havia em mim, hoje apenas sou um pássaro livre mas que não se lembra como voar...

Comentários

  1. adorei imensamente.

    "Tu foste e acabaste por levar o que de melhor havia em mim, hoje apenas sou um pássaro livre mas que não se lembra como voar..."

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  2. Os sentimentos sao iguais, mas as pessoas que os sentem, sentem de maneira diferente, sem duvida. obrigada :) agoro a tua forma de escrever *

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