Segue e esquece…

Instantes de um segundo que não passava, o tempo parou quando li o que os meus olhos apenas queriam tanto fugir, parti, e esqueci todas aquelas palavras, toda aquela mistura de sentimentos ali descrita, ali depositada com uma ausência de verdade, com uma nudez do que penso ser o amor. Não olho para traz porque certamente o caminho é mesmo em frente, certamente as músicas começam a perder todo o sentido e os versos de amor tornam-se gastos com o desiludir de um coração, com o perder de toda a magia que um dia existiu, que um dia tanta luz teve. Dizem que as pessoas por vezes tornam-se, aos nossos olhos, aquilo que tanto queríamos delas. Tudo é um engano, cada um é próprio, cada um é dono do que sente e além do mais tem sempre a força de poder mudar o seu mundo, de poder fugir do que mais lhe pode fazer feliz. Pode ser um engano, pode ser até mesmo mais uma história perdida no meio de tantas outras, rasgada, mal escrita, apagada pelas imagens de um novo sonhar, de um novo viver que agora vejo que não é assim tão desconhecido, que não é assim tão ignorado. O tempo acaba por passar, tudo se altera e o que hoje vivemos amanhã pode ser mais uma página virada repleta de rascunhos que não passaram de isso mesmo, simples rascunhos de uma vida que o coração abandonou e que a alma pediu para esquecer. Há sempre um tarde de mais, há sempre um perder mesmo que não queiramos acreditar nisso, mesmo que um dia na vida o nosso desejo seja voltar atrás e agarrar tudo o que foi perdido, tudo o que afinal não era mais um engano, uma falha no percurso. Os sonhos tornam-se vida, os desejos tornam-se alma, se hoje vivo assim, amanhã certamente aprendo a te esquecer…

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