O dom de amar...

Por entre as mãos de uma criança correu aquilo que hoje ele chama de amor, desfolhava livros e lia todas aquelas histórias, todos aqueles sonhos tornados realidade, em paixões de príncipes e de princesas, em finais felizes que o faziam sorrir. O tempo foi passando e com ele o amor foi crescendo, aprendeu a sentir e nunca mais se esqueceu de cuidar desse seu dom, dessa sua maneira particular e tão diferente de ver o mundo, as pessoas e a maneira como estas constroem os seus caminhos, os seus destinos. Cresceu e hoje apenas se tornou num homem sonhador, lutador entregue aos ideais de algo que procura incessantemente, de uma felicidade construída por ele mas que quer repartir com alguém que tenha a força de erguer amores e de construir um mundo bem mais colorido, bem mais verdadeiro. É humano o que o torna imperfeito, erra mas acaba por aprender com os mesmo, não gosta de perfeição porque na verdade ninguém consegue ter esse poder, ama por isso vive, vive desprovido de barreiras, com as portas e janelas do seu coração abertas, despertas, entregues aquilo que um dia tanto sonhou para si que nunca esqueceu e certamente nunca esquecerá. Entrega-se a estas letras, entrega-se às musicas e aos rascunhos de uma vida, porque neles consegue falar de amor, porque neles consegue ser apenas ele, natural, sem mascaras, sem falsos moralismos mas sim apenas ele, como sempre foi, como sempre sentiu. Fala-se de destino, fala-se de forças que nos movem, que nos empurram em direcção a locais, a pessoas, a sentimentos, mas do que isso vale? Será mesmo verdade? Se não formos apenas nós a cuidar desse dito destino, a construir projectos vivos, a aprender a sonhar, a viver de amor jamais teremos um dia o nosso próprio final feliz, a nossa própria história escrita por nós, agarrada a este nosso coração. Hoje apenas sei que esta é a minha forma de amar, o meu caminho, não olho para trás, porque lá apenas permanecem as recordações, olho em frente, sigo em passos lentos, em passos que acredito que me levem aquilo que um dia em criança sonhei e que hoje sei que não é uma utopia de contos infantis...

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