A irrealidade de um real...

Torno-me imperfeito no passar das horas, nas horas de um tempo perdido no que foi amar. Apenas fecho as mãos, coloco sobre os olhos e deixo-me dormir com a brisa fresca vinda do mar, com a música que um dia me fez sorrir. O tempo passou e a saudade passou a ser uma constante entre os livros velhos escritos pelo meu coração e a desarrumação de um pensar que começa agora a recuperar, a viver de outra forma. Nos braços da vida agora coloco a minha cabeça e no aconchego desta casa à beira mal limpo as lágrimas de um coração ferido, magoado por um sentir mais forte que eu, mais forte que todo este mundo que me rodeia. As paredes de madeira protegem o meu corpo frágil, imune à dor que agora tenho, imune porque um certo dia decidi deixar de sentir e apenas viver coda história com as defesas necessárias, com as barreiras bem fortes. Hoje olho um passado esquecido, um viver que nem eu próprio já sei como se constituía, como sabia, como cheirava, apenas sou mais um no meio de tantos, por isso ando assim, como eles, despidos de tudo, entregue a um nada, a um vazio de emoções. Sorrisos, choros, lágrimas e até olhos brilhantes são substituídos pela sobrevivência, pela lei do mais forte porque o amor no final de contas nem sei se existe, se é real na sua forma de ser vivido, na forma como cada pessoa entrega o seu coração e aquilo que de mais importante tem, o seu mundo. Falam de amor como falam de prazer, não dividem os sentimentos do prazer, não dividem a dor da angústia de perder, tudo está misturado, num misto simples de estupidez humana e orgulho irracional que no fim de contas acabam por levar a um afastamento lento, mas real. Amor, apenas falar de amor, para quê? Para viver mais um sonho falhado e um engano forçado? Fico assim pelas memórias, essas pelo menos nunca me enganam...

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