Despir-me de mim...

Hoje apenas as lágrimas escorrem por este meu rosto, sinto-me vazio, vazio de um sentimento que chamava amor, quero apenas despir-me de mim, acreditar noutros sonhos viver outra vida onde tudo possa ter um pouco mais de claridade, onde apenas possa pintar de todas as cores aquilo que hoje encontra-se tão desfocado, tão irreal. Tudo culpa deste meu coração, deste meu sentir que me deixa assim, desprovido de armas entregue apenas à vida com toda a sua força, com toda a sua insignificante mortalidade que começa afectada, que começa gasta e escorregadia. Os sonhos hoje apenas ficam guardados, apenas quero ficar assim, sentado, neste chão que me aconchega o corpo e me resfria do calor desta pele. Apenas não quero falar de amor, mas este esta agarrado a mim é um pedaço meu, é o meu mundo. Quero esquecer-me de mim, esquecer-me de todo o passado, esquecer que um dia caminhei na ilusão de um final feliz. Falam de amor como um sentimento tão real mas no final acaba-se por viver uma irrealidade onde uns lutam e outros apenas assistem às quedas de quem não consegue viver sem sentir, sem acreditar num amor diferente de todos, igual à sua própria maneira de ser, natural, verdadeiro. Quero encostar a cabeça e adormecer, aqui, assim, na esperança que me arranquem o coração e me deixem viver de forma menos doida numa incerteza constante, numa mão cheia de nada. Apenas não falem de amor porque hoje não quero ouvir falar dele…

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