Ausências…

O sentimento parece diferente e as palavras custam a escorrer por entre as folhas gastas pelo sol e pelos dias quentes deste Verão. Não sei o que se passa, se perdi o sentir ou se o coração colocou a chave na porta e fechou para umas férias que nem eu próprio sei quando acabam. O sonhar desvaneceu e isso deve-se muito a este período um pouco atribulado, um pouco desprovido de tudo aquilo que um dia aprendi a construir. Queria apenas escrever mais, dizer que tudo é diferente mas neste momento apenas escrevo o real e não apenas mais um conto cheio de fantasia onde todos nos perdemos nem que seja pela vontade enorme de nos revermos em cada palavra, em cada conto de crianças e acreditada por adultos. Não me culpo desta ausência de sentir, apenas o tempo e a vida mostraram-me que não podemos viver de sonhos mesmo que essa seja a nossa maior vontade, que não podemos apenas viver para o amor se esse apenas surge de uma forma desfocada que nem dá para sentir as suas feições, nem dá para tocar as suas formas. Passam as horas e apenas espero que isso mude um pouco, que finalmente o coração resolva abrir as suas janelas e que com essa nova lufada de ar fresco consiga escrever cada palavra, cada frase de um amor vivido, de um amor idealizado, de um amor sentido. Por enquanto olho para o sol e deito-me debaixo dele, deixo aquecer o meu corpo na esperança que também me aqueça o coração e olho para a vida como algo em que se luta mas que nem sempre essas lutas acabam vencidas tornando-se assim uma luta inglória para quem sente e ignorada para quem vive por viver. Deixar de ser mais um “boneco insuflável” desprovido de tudo o que é sentido torna-se difícil, mas no momento em que aprendes a ser apenas um ser único é uma batalha, uma batalha para te conservares tudo o que és e uma batalha para mostrares às pessoas que afinal ser diferente é não ser igual a toda a gente que apenas encara a vida como um jogo do ganhar e coleccionar histórias efémeras…

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