Saber amar-te...

Os dias de calor chegaram a este meu porto, a escuridão dissipou-se e apenas reflecte na água deste meu cais o sorriso de algo que nunca perdeu o seu encanto. O cheiro do mar entra-me pela casa, o calor abrasa-me as noites e a areia agarra-se ao meu corpo que agora é repleto de sabor a sal, repleto de recordações com um cheiro que se entranha na roupa e me faz suspirar pelo dia de amanhã, pela continuação do que hoje ficou parado. Os passos agora encontram-se certos, no areal deixo as minhas marcas e tu segues as mesmas com os teus pés, com a tua forma de sentir, tão diferente mas ao mesmo tempo tão igual à minha. O tempo passou, tudo mudou, o que de um certo ponto se torna bem mais mágico, bem mais empolgante de lutas por ganhar e de batalhas para nunca se perder. Passado, apenas o passado ficou inalterável, utópico, capaz de romper os maiores sorrisos ou até as mais sofridas lágrimas, lá ficou aquilo que apenas não quero voltar a viver, lá ficaram coisas que sei certamente que nunca mais irei ter, mas o que me conforta, o que me enche de orgulho e que nesse, dito, passado ficaram todos os caminhos errados, os sentimentos falseados, os enganos enganados. É bom estar aqui, é bom saber que estou em casa, repleto daquilo que consigo chamar amor, mas longe de uma paixão que nem sei bem descrever como é, como a sinto, como a irei continuar a sentir. Se o hoje pode-se ser caracterizado por uma única palavra, certamente iria o chamar curioso, aventureiro, lutador, pois certamente irei nunca baixar os braços na luta por aquilo que acredito e muito menos irei virar as costas a uma felicidade que construo desde os primeiros dias em que aprendi a sonhar...

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