Palavras que se sobrepõem ao sentir...

São poemas de um tempo esquecido, são versos deitados ao vento no correr de um dia tempestuoso, frio, amargado pela falta de tudo aquilo que se conhece, de tudo aquilo que se ama. Sigo os passos que me levam a ti, arrasto-me por entre as ruelas dessa tua terra, pelas vielas que me levam a ti, ao teu coração. Sigo assim caminhos desconhecidos, paisagens nunca antes vistas, cheiros nunca antes sentidos, tudo é diferente mas ao mesmo tempo tão igual, tão igual a mim, a ti e ao sentir que se torna esquecido pelos dias que corem, pelas pessoas que valorizam mais as coisas insignificantes de uma vida. Prendo-me assim a um sonhar, a uma estranha forma de vida que se constrói de projectos verdadeiros e não de simples fantasias imaginadas mas efémeras na continuidade de uma felicidade, no desenvolver de um amor que já não se encontra com facilidade. Assim luto, vivo sempre com o coração aberto, vivendo de sentimentos e não de angústias para ser aquilo que os outros são, aquilo que se valoriza mesmo sabendo-se que se torna apenas mais uma farsa, mais um engano que por vezes é cometido por uma satisfação impensada, por um desejo descontrolado de querer sempre mais e mais. Escrevo coisas simples, pequenas fracções de uma vida, pequenos desabafos de um sentir que se revelou bem mais importante do que aquilo que pensava, que se tornou a minha vida, que mudou a forma como encaro todo o mundo que antes parecia ignorado, que antes parecia não existir em mim mas apenas nos contos e nas histórias que iam enchendo o meu mundo de sonhos, que iam construindo os meus caminhos mesmo sem me aperceber de tal. Hoje sei que certamente não será igual ao ontem, mas por outro lado faço de tudo para que o amanhã seja mais uma novidade, mais uma luta constante entre tudo aquilo que quero e tudo o que pretendo afastar, tudo o que quero esquecer. Se a vida é apenas sentir e viver esse mesmo sentir, então deixem-me viver e esqueçam que eu um dia tenho de partir...

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