Instantes de lucidez…

Sobre o manto desta neblina jogo as palavras que saem do coração, sussurro, cada som, cada gesto de um sentimento perdido, esquecido por entre os raios de sol e os dias quentes de um Verão passado à beira mar, vivido por outra forma de ver. As ruas tornam-se gastas, os pés começam a doer nesta caminhada que agora encontra mais um obstáculo, mais uma barreira que está prestes a ser derrubada, nem que seja pela força de um sentimento, pelo viver de um sonho que se chama amor. São instantes de uma lucidez passageira que me mostram que afinal nem tudo é como se pensa, que nem sempre procuramos as pessoas certas, os momentos certos, os sentimentos verdadeiros, em vez disso mesmo, acabamos por viver um erro, por acreditar em histórias efémeras e vivemos, assim, iludidos por uma vontade que não irá passar de isso mesmo, de uma vontade inglória tanto para nós como para quem apenas não sabe o que é amar. Tudo assim se torna uma incógnita, um dualismo de ter ou não ter, de querer ou apenas partir reprimindo um coração, sufocando um amor, um sonho que se mostra mais uma utopia inalcançável, do que um instante vivido, saboreado. Os papéis invertem-se, os sorrisos enganam e o olhar desvia-se pelo receio de mostrar mais do que as palavras o mostram, de transparecer mais do que aquilo que o coração aguenta transmitir. Nem sempre se procura o real, nem sempre se vive uma verdade que não é encenada, é nos momentos que a realidade nos coloca à prova, que encontramos aquilo que tanto queremos que acabamos por fugir de tudo, por afastar o que tanto esperávamos, por ignorar o que tanto projectamos. É nestes instantes que não se vê a sorte que está perante os nossos olhos, depositada nas nossas mãos, real e verdadeira à espera que um dia à vivamos, a sentimos. Pior do que ignorar um coração é ignorar o que dois corações, que sentem bem mais do que aquilo que um dia foi dito, que um dia foi sentido…

Comentários

  1. « mostram que afinal nem tudo é como se pensa, que nem sempre procuramos as pessoas certas, os momentos certos, os sentimentos verdadeiros, em vez disso mesmo, acabamos por viver um erro, » - nem tudo tem de fazer sentido, tem sim de ser sentido. gostei muito deste teu texto! abraço!

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  2. Tenho a agradecer-te pelas palavras. Tens sido espectacular. Obrigada.
    Adoro adoro. É tudo tão verdadeiro.. Escreves mesmo bem.

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