Simplesmente aprender a ser natural...

A distância surgiu, as palavras acabaram caladas e os olhares começaram por se desviar. Assim foi uma realidade, mais uma história que construímos, mais um destino que fizemos com que nos afastássemos mesmo após um cruzamento natural e ao mesmo tempo tão verdadeiro. Foram horas esquecidas, papeis rasgados, frases apagadas, desilusões criadas e um sabor amargo de uma despedida que nunca irá ser sentida, que nunca irá existir. Partirei de costas voltadas para aquela pessoa que acabou um dia por me prender, partirei e apenas restará a recordação que já começa a desvanecer entre os sonhos novos e os projectos que começam a ganhar forma, que começam a ser bem mais importantes. Custa dizer adeus, mas a dor do sentir foi bem maior, custa partir, mas a vontade de viver de novo é bem mais forte, custa desistir mas já não há nada que ainda me faça lutar. Foram farsas, foram papeis mal encenados, foram coincidências e até mesmo falsos amores, tudo se resume a isso, tudo se resume a mais um tempo perdido entre o querer e o perder, entre o lutar e o abandonar aquela que um dia pensamos ser bem diferente, aquela que acabou por se moldar a mais uma réplica de todas as outras, tornando-se igual, tornando-se artificial. Os sonhos ficam, as vontades continuam e acima de tudo o orgulho continua lá, porque mais vale perder algo do que rastejar para o ter, mais vale virar as costas do que ficar a olhar o passado com uma dor que teima em passar, mais vale voltar a construir um castelo sobre bases firmes do que viver na corda bamba em que basta uma simples distracção para se perder tudo o que tinha sido alcançado. Hoje apenas vejo que tudo foi vivido, aprendi a perder mas também soube ganhar, descobri o que era verdadeiramente amar e principalmente vi que a vida pode ser aquilo que eu quero que ela seja, construindo-a com os meus passos, com os meus sonhos, com as minhas pessoas, com os meus locais mas acima de tudo com a força que tenho de lutar. Tudo não foi em vão senão nunca teria escrito estas palavras, estes desabafos de um dia tão igual mas ao mesmo tempo tão diferente de todos os outros...

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