Para além das palavras...

Larguei o teu abraço, com as mãos trémulas e com as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto, fugi de ti, fugi de toda a verdade que algum dia conheci, aquela verdade tão simples e ao mesmo tempo que hoje me rouba a vida e me sufoca o ar que ainda consigo respirar. Andei perdido entre ruas e ruelas onde um dia tanto nos amamos, o teu cheiro está em cada parede em que nos enrolamos em poemas de amor e fados do coração, sorrias para mim e eu apenas te amava, te olhava, te beijava e abraçava entre o cheiro do mar e a arreia que andava por aquele chão. Pedias amor e eu dava-te paixão, pedias sorrisos e eu dava-te alegrias, tudo era tão importante, tudo era construído na base dos dois e não de forças antagónicas que apenas queriam satisfazer o seu ego, satisfazer o seu próprio prazer. Vi-te partir e eu assim também o fiz, errei nos caminhos que percorri mas esses mesmos erros fizeram-me crescer. Hoje apenas sinto a tua falta, hoje apenas sou um resto do que fui porque não te tenho a ti, não tenho o teu pequeno mundo que sempre transportei nas minhas mãos com toda a força, aquele mundo que me entregaste no dia em que nos beijamos e trocamos juras de amor, de um amor incondicional. Escrevo desta forma, não consigo fazer de outra maneira, vivo de recordações, de amores perdidos, de palavras rasgadas entre uma perda dolorosa e um adeus repentino. Quero que entendas que o tempo pode passar, mas ao contrário do que os outros dizem ele não faz esquecer mas sim aumentar uma saudade, palavra tão sentida, palavra tão nossa. O tempo passou e as cicatrizes acabam por sarar, mas os espetos permanecem em forma de uma recordação que acredito que ficará para todo o sempre. Dou por mim a rever fotografias que um dia tentei rasgar, dou por mim a ouvir os CD´s que ambos gravamos em forma de banda sonora do nosso amor e sabes o que isso simboliza para mim? Um tudo mas também um nada, o amor acabou por morrer entre as vielas de uma cidade onde nos perdemos, de uma cidade onde abandonamos os nossos corações nas ruas e os sonhos nos beirais dos passeios que acabaram gastos pelo passar das pessoas. Quero que saibas que (re)aprendi a amar, mesmo que esse meu amar não consiga ser visto por quem de tão puro tem, por alguém que me fez renascer de entre aquelas recordações que quase me tiraram a vida, que quase me afogaram num oceano que plantaste sobre ela...

Comentários

  1. Ainda bem que gostaste :)
    Estou a seguir-te :)

    «Escrevo desta forma, não consigo fazer de outra maneira, vivo de recordações, de amores perdidos, de palavras rasgadas entre uma perda dolorosa e um adeus repentino. Quero que entendas que o tempo pode passar, mas ao contrário do que os outros dizem ele não faz esquecer mas sim aumentar uma saudade,» - Esta parte diz-me tudo. Muito intimamente ligado a mim esse pedaço.

    Lá vem o tal ditado ou lá como se diz "Podes fugir mas não te podes esconder" - o amor alcança sempre porque simplesmente nunca fugimos dele. O que é nosso a nós virá, sempre.
    Um abraço.

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  2. Obrigada, também gosto muito do teu blog e da maneira como escreves! Também te sigo :')

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