O sonho dentro do sonho, o amor em formato de realidade ou em forma de nada...

Eu sonhei dentro do próprio sonho, sonhava em que apenas o amor derrubava barreiras, em que eu e tu apenas éramos um, éramos simples seres, sem mascaras e com uma vontade enorme de nos amarmos entre os dias quentes de um Verão presente, entre as ruelas daquela terra que nos fez cruzar um no caminho do outro. O sonho, apenas o sonho, rompeu naquela noite o medo de errar, o medo que me sufocava as palavras que tanto tinha por dizer, que tanto tínhamos por viver. Levantei-me da cama, pisei o chão frio de um quarto que não estava habituado a ter vida no seu interior, percorri os corredores e revi os episódios espelhados em cada parede daquele casarão de chão de madeira, de paredes desprovidas de vida. Veio assim o sonho em direcção a mim, aquele sonho em que apenas estávamos nós juntos, entre o meu e o teu mundo, construindo apenas o nosso, cheio de tudo, recheada de utopias antes dadas como certas e agora vividas como nunca o tinham sido. Senti tudo, saboreie cada instante, cada segundo daquele sonho que chegou a mim naquela fresca noite de Verão. A saudade estava permanente mas tudo parecia tão real, tão vivido nem que fosse pelo amor que pairava entre o certo e o incerto de uma vida que nos afastou e nos arrastou pelas vicissitudes de um destino que por vezes não conseguimos escrever, porque ele próprio já está escrito por forças antagónicas e que parecem não compreender o amor. O passado estava naquela casa, o presente estava em mim e o futuro aparecia naquele simples sonho, naquela simples noite em que parecia que a vida me estava a dar uma segunda oportunidade, que nos estava a dar uma segunda paixão. A manhã chegou, o calor voltou e acordei entre uma noite atribulada mas ao mesmo tempo tão feliz, levantei-me e pisei o chão já quente, aquecido pelos raios de sol que passavam entre as arvores daquela terra tão distante, tão diferente de tudo o que antes conhecia. Corri, sai para a rua e gritei finalmente, era um grito de alívio e ao mesmo tempo um grito de paixão, percorri os campos e cheguei ao riacho onde já estavam todos os outros, onde já estavam pequenos fragmentos da realidade que hoje vivo. Sorri, vivi, senti aquele dia na esperança porem que o sonho voltasse a mim naquela noite, que a tua presença voltasse a estar naquele quarto, naquela noite, naquele Verão onde os dias são diferentes, onde as pessoas são diferentes e em que o amor ganhou novas cores, aquelas que tu pintaste na minha vida...

Comentários