Amor...

Os passos tornam-se gastos e a força na minha mão diminui ao saber que parti sem aquilo que tanto quis, foi uma partida cobarde, entre aquelas palavras que não consegui falar e os olhares que tentei desviar. Foi tudo assim, saberia que era diferente, porque na realidade eu sou diferente, porque na realidade ainda consigo sonhar mesmo que os outros me tentem roubar os sonhos e o chão que eu piso, o chão onde começo a construir os meus simples e fortes castelos de areia, movidos de tudo aquilo que eu considero mais verdadeiro, construídos sobre caminhos que sei que não me enganam. Irás seguir o teu caminho, entre amores que verás que não são sentidos e entre pessoas que te irão encher o coração de uma magia que te faça levitar e ao mesmo tempo colocar o brilho no teu olhar, o brilho que me agarrou a ti. Hoje apenas sou um puzzle incompleto, sou um puzzle que ficou esquecido entre as tralhas de uma vida, entre o pó de um esquecimento, já fui tudo, já fui nada e agora nem sei bem o que sou, se sou algo ou até mesmo se ainda resta algo do que já fui um dia em que acreditei demais e vivi de menos. As palavras assim juntam-se naqueles textos que são puras reflexões do meu ser, puros desabafos de uma alma e de um coração que continua a bater descompassado, tão frágil e ao mesmo tempo tão corajoso. Sou um turbilhão de sentimentos, a pressa de uma partida e a felicidade de uma chegada, sou um tudo mas também uma mão cheia de nada, um copo a transbordar água ou até mesmo um deserto árido em que me falta a vida, em que me falta quase tudo. Escrevo assim, restos, pedaços de mim que acabam por desvanecer entre o querer e o perder, escrevo, não choro porque as palavras ficam e as lágrimas apenas alimentam aqueles que vivem da infelicidade dos outros, e que nunca serão capazes de sentir tal como sinto, não são capazes de ver tal como vejo. O anoitecer começa a dar os primeiros sinais, o sol já se põe no horizonte e sei que virá mais uma noite que me trará recordações que preferia que ficassem esquecidas, no meio da neblina, no meio do caminho, ancorados a um passado que de nada me impedisse o futuro, presos a um episódio que teria sido apagado por um feliz acaso do destino ou lá como isso se chama. Quero conseguir ainda acreditar naquelas histórias de criança, naqueles pequenos contos ou fábulas que tinham o dom de me fazer crer que a vida pode ser aquilo que queremos, que os sonhos sendo lutados pode passar a ser uma realidade e que os grandes amores acabam por resistir ao tempo, a distância e ao passar dos segundos que contam desde o momento em que se deixaram de ver. Não podemos adivinhar, não podemos saber de algo se esse mesmo algo não depende apenas de nós, não podemos amar se não conseguimos sentir, não podemos esquecer se apenas amamos, não podemos mudar se assim construímos tudo aquilo que somos mas acima disso não podemos fugir daquilo que nos faz felizes, daquilo que cria em nós vida, uma vida tão grande e ao mesmo tempo tão forte. Hoje apenas te espero, hoje apenas sei que tudo era tão real e tão verdadeiro, desculpa a minha forma de amar, desculpa se o meu amar te pesou, desculpa se o meu amar te deixou ficar mal, apenas amei e disso não me posso repreender, apenas te amei e isso fez de mim tudo o que hoje sou...Pode não ser hoje, pode até mesmo não ser amanhã mas só espero que consigas amar alguém como eu te amei a ti...

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