Palavras soltas...

Eu já pensei tanto que já nem sei, a página virou mas a vontade que ela permaneça igual é bem maior, a tinta correu sobre o papel e assim acabou por escrever-se uma história que eu não sonhava para mim, acabou por colocar personagens, sentimentos, sorrisos e até mesmo lágrimas que deixaram em mim recordações, puras recordações que ainda me ferem o coração e me fazem ao mesmo tempo acreditar no sonho e no poder dele para traçar novos objectivos, novas formas de pensar, novas formas de amar. O tempo pode ser um remédio para muitas das feridas deixadas mas em contraposição pode ser mais um factor que nos leva a cair nas recordações, que nos leva a aprisionar a nós próprios e assim tapar um futuro que poderia ser vivido, um futuro que poderia ser bem mais feliz que o que ficou no passado. Queria apenas saber que tudo isto vale a pena, que o destino saberá o que coloca no meu caminho mas as incertezas são tantas, as perguntas acabam sem resposta e os sonhos acabam por cair, assim, por terras sem dar o fruto que tanto espetava, sem dar-me aquilo que tanto me fez sorrir. Vivemos assim de pequenas paixões, e quando falo em paixões não me refiro propriamente a grandes amores entre duas pessoas, falo de paixões por músicas, comidas, pessoas, sorrisos e até mesmo fotografias que são capazes de nos transportar e ao mesmo tempo mudar-nos a dimensão onde estamos. Agarramos o que conseguimos, pegamos aqui, ali e até mesmo além, queremos ser tão mas tão felizes que acabamos por nos enganar, que acabamos por tentar colmatar faltas com pequenos erros, e acabamos por esquecer o nosso objectivo de vida para vivermos os objectivos e sonhos dos outros. Acima de palavras ditas e de sonhos sonhados estamos nós, com aquilo que queremos viver e que temos de defender com unhas e dentes, porque se não formos nós a o fazer certamente não será outra pessoa. A nossa felicidade depende primeiro de nós e não dos outros, a nossa felicidade depende da nossa própria capacidade de sonhar e da força para tornar esse sonho uma realidade vivida e ao mesmo tempo tão sentida...

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