O remédio para a dor...

Desisto, perdi toda a força que havia em mim, sou agora um poço, um simples poço que se tornou vazio com o passar do tempo. Ficarei no esquecimento, na recordação daquilo que um dia fui, daquilo que um dia amai. O amor desapareceu da minha vida e com isto desapareceram todas as pequenas histórias que me iam mantendo vivo com a felicidade que demonstrava tapando aquilo que verdadeiramente sentia. Saberás certamente ver para além das evidências e daquilo que um dia fui e que acabou por se esbater com o passar do tempo e com a desilusão de uma vida mal vivida e de sonhos que se tornaram pó que voou com a primeira tempestade. Preciso de ti, preciso de voltar a aprender tudo o que me esqueci, lamento as perdas e lambo as cicatrizes que o meu coração neste momento tem. Estou incompleto, sou um puzzle cujas peças acabaram por se perder entre as mãos de uma criança e as frustrações de um adulto que não consegue encontrar a sua metade, a sua peça. Agora tudo é assim, um vazio inconsolável, uma tristeza inabalável, uma esperança inalcançável. Partirei entre aquilo que guardei e aquilo que se agarrou à minha pele, aquele cheiro, aquele rancor, aquela recordação. Quero despir-me de mim, lavar o corpo, lavar a mente e acima disso trocar o meu próprio coração, soltar amarras e assim voar, livre, solto como já algum tempo não me sinto. Perdi a força mas certamente irei voltar a encontra-la porque não consigo desistir, porque não consigo abandonar todos os sonhos que me permiti sonhar, porque afinal de contas só mesmo há pouco tempo é que aprendi a viver. Há dias assim e todos acabamos por os viver, há dias assim, de uma mágoa inabalável e de uma frustração que nos aperta o peito entre palavras dolorosas e lágrimas pesadas. O importante mesmo é levantar-me, erguer a cabeça e voltar a (re)aprender a lutar, sorrir, amar, correr, numa simples palavra, voltar a VIVER...

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