Expressões de uma história que parece não ter um fim...

Finalmente os pés conseguem pisar o chão, finalmente as mãos conseguem agarrar a terra molhada e sentir a fina areia a escorrer por entre os dedos. Pensei assim em correr mas o corpo apenas pedia um pouco mais de tempo para aproveitar aquele momento que se distinguia de todos os outros, pedia que ficasse naquele estado de liberdade e de força autêntico por mais uns segundos. Vi-te ao longe e logo o coração acelerou de uma forma que parecia querer romper a carne e saltar para fora do meu corpo que apenas era embalado pelo compasso do teu olhar e pelo teu jeito de ser, ao mesmo tempo natural, ao mesmo tempo mascarado por uma vergonha típica de que sabe o que quer e de quem se entrega aos sentimentos. Parei ali então entre o ruído de todos aqueles que me rodeavam e a imagem que tinha de ti, aquela imagem capaz de me prender mãos e pés e de me levar ao limite daquilo que sei que são as minhas formas de pensar e agir. Tens esse poder e não o consigo negar, tens o poder de me tirar as palavras, de me intimidar e acima de tudo de me tirares deste mundo e me levares para outro que não sei explicar mas que gosto de sentir. Os meus pés agora pisam o chão quente, porque antes apenas tentavam passar sobre o frio sem que os dedos permanecessem em contacto com aquilo que não tinha poder para ser quente e que continuava constantemente num impasse entre o calor de um sonho e a desilusão de uma realidade. Hoje apenas sinto e tu? Será que consegues te guiar apenas pelos sentimentos e não pela racionalidade? Apenas no sentir e somente no sentir conseguimos encontrar certas respostas que a racionalidade humana camufla entre enganos e vontades de esconder aquilo que na realidade está aos olhos de todos...

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