Um balão ao vento...

Uma folha rasgada voou pelo ar, um sentimento, um sonho, uma sina voou com ela também, o menino com as lágrimas nos olhos despediu-se dela como se de um balão se tratasse dado em dia de festa por aqueles que lhe querem bem. Assim foi mais uma história que parece terminar, mas o problema de todas as histórias é que nunca desaparecem, que perduram no tempo e que parecem ficar agarradas ao nosso coração como se de ele fizessem parte. As coisas, os lugares, as pessoas não se esquecem e quando são especiais ainda perduram por muito mais tempo atravessando esta vida simples e mortal e agarrando-se a nossa alma para toda a eternidade. Já disse que não esqueço, apenas não o demonstro ou até mesmo o tento negar, mas na realidade as coisas ficam aqui, eu sinto-as, elas magoam, fazem-me sorrir mas na verdade ali estão ancoradas em mim como navios atracados em dias de mar revolto. Quem me dera que a minha folha de papel voasse, quem me dera que tudo se limpasse e que pudesse escrever de novo, com uma nova tinta, uma nova historia e um novo sentimento. Mas a mim não foi me dado o privilégio de ser de metal, de vidro ou até mesmo de rocha mas sim de carne e nessa carne incrustado um coração que bate, que sente, que dói e até mesmo que palpita e por isso assim sou, simples, feliz, e acima de tudo verdadeiro e convicto que um dia acabarei por encontrar aquilo que quero. Se passou e não tive é porque apenas não me fazia falta ou então porque os caminhos traçados não foram os mais certos por uma das partes. Acredito que o tempo dá e tira e o que não foi vivido num passado pode ser vivido num presente, basta querer, basta sonhar e acordar cada dia com a esperança de receber algo de que se quer e o resto apenas é secundário. Sou agora um balão que voa num espaço cheio de balões diferentes e até mesmo iguais esperando que um dia o cordão de algum se embarace no mesmo e aí sim não voarei sozinho mas sim junto a alguém...

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