Mais vale viver um “verão” com pedacinhos de “inverno” do que apenas um “inverno” que não teima em passar...

A chuva bate na janela do meu quarto e o mar parece agitado nesta “minha” praia, o que antes eram ruas cheias de gente, agora apenas são ruas cheias de nada, vazias e molhadas por uma chuva que teima em não passar. Nestes dias apetece ficar em casa, pensar, estar aconchegado no meio dos edredões e ouvir musica que me faça abstrair de tudo o que se passa lá fora. Tenho saudades dos dias de sol, dos passeios pelo campo, pela praia e até mesmo aquelas tardes em que chegamos a casa, tomamos o nosso banho e saímos para mais uma noite quente que promete ser preenchida de sorrisos e boa disposição. Agora apenas resta esperar, agora apenas resta ser invadido por estes pensamentos e esperar que todo este temporal passe para poder de novo sair para a rua. Olhando deste ponto posso comparar estes mesmos dias ao amor, por isso associo o verão aquele amor mais despreocupado, aquele amor que vai para alem das coisas fúteis e banais, normais que se vê a toda a hora. Este é um amor livre onde na base dele se encontra apenas o sentimento, aquele sentimento que apenas fica entre aquelas duas almas. Gestos, olhares e até mesmo sinais substituem as palavras, os silêncios são compreendidos e o toque, esse toque, acaba por ser o diálogo de dois corpos que se amam. Depois vem o inverno, aquele amor banal, monótono, que surge com uma intensidade e depois vai perdendo o brilho, a desconfiança aparece, a falta de ar é constante e o amor apenas se resume a uma única coisa habito, um habito de presença que acaba por frustrar ambos e tornar deste pessoas presas e não livres. Por tudo isto não se precisa de palavras, não se precisa de promessas que não são cumpridas, não se precisa de mensagens a lembrar desse amor, o que se necessita mesmo é de sentimento, de felicidade, de liberdade e o resto, o resto vai aparecendo e desaparecendo quando ambos decidem. Mais vale viver um “verão” com pedacinhos de “inverno” do que apenas um “inverno” que não teima em passar...

Comentários