Reflexões de um início de tarde...

Mais um dia quase passado entre coisas para fazer e promessas que nunca se esquecem. É mais um dia igual a tantos outros mas com uma sensação melhor, pois o sol hoje apareceu na janela do meu quarto. Se ontem não apareceu e me deixou um tanto ou quanto mais em baixo hoje já não foi assim, ele apareceu e banhou-me o corpo de um calor, fraquinho mas calor na mesma, que me fez recordar os dias quentes de verão. Tenho saudades do Verão, nunca pensei dizer isto, pois a minha estação do ano favorita é o Inverno, mas na realidade tenho saudades sim, saudades dos dias de praia, saudades do cheiro do protector, saudades da água salgada no corpo e saudades de viver mais desperto para a vida e para os sentidos que ela desperta.
Natal, mas será que este ano nunca mais chega o Natal? As ruas que antes eram iluminadas passaram a estar desertas, sem luzes, sem movimento, ou seja, perdeu-se um pouco da magia que era andar na rua e ouvir lá ao longe uma musica que nos arrastada para o espírito natalício. Cada dia que passa vamos perdendo mais as coisas que nos fazem felizes, ligamos a televisão e desde o início até ao fim do telejornal é só noticias que nos deixam desmotivados e com alguma mágoa, as novelas são um imbróglio de vinganças e traições, os programas que deveriam servir para entreter acabam por aparecer com histórias marcadas pela dor que faz com que o telespectador se identifique com as mesmas e acabe por sofrer. Para acabar ainda colocam no ar programas em que expõem a vida de outras pessoas de tal forma que até me dá angústia de pensar o que as pessoas têm na cabeça para fazer aquilo. Como se pode ver, vivemos numa sociedade que caminha a passos largos para uma decadência colectiva, não estou a ser pessimista mas na realidade acho que deveríamos ser mais felizes, um pouco mais honestos e não pensarmos apenas em nós e só em nós.
Desde que saímos de casa até que voltamos já com a noite a cair no horizonte, quantas pessoas vemos que necessitam ajuda? Umas a pedir dinheiro, outras a pedir boleia e ainda outras que apenas precisam que lhes indiquem o caminho para chegar ao local que necessitam. E custa ajudar? Custa dispensarmos um pouco do nosso tempo para isso? A mim não me custa e se toda a gente pensa-se assim viveríamos num mundo um pouco mais justo.
Não estou aqui para falar em justiças ou injustiças porque não sou mais do que ninguém apenas são um ser humano como todos os outros que vive em sociedade. Cada pessoa tem o dom de poder escolher o que quer fazer, onde o quer fazer e com quem quer fazer mas nunca se pode esquecer que também a sociedade lhe impõem algumas normas e valores que devem ser seguidos. Somos livres mas também somos prisioneiros de nós mesmos, temos a liberdade de escolher o que fazer mas também a obrigação de o fazer bem.
Por tudo isto, defendo que devemos ser nós mesmos, dar o máximo de nós, conhecer aquela pessoa, a outra e até mesmo a outra, ir aqui, ir além, ir para outro local, não importa para onde, mas ir. A vida não nos dá segundas oportunidades, apenas uma e essa uma tem de ser vivida com o máximo de intensidade e com o máximo de vontade de ser feliz. O amor também é assim apesar de por vezes dar mais do que apenas uma oportunidade, por isso agarra bem o que ele te dá porque a segunda oportunidade já não é igual à primeira e o que vives numa jamais irás viver noutra.
Quem sabe viver vive, quem não sabe viver apenas fica a assistir a uma peça que nunca terá um papel para si...

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