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"Desalinho"

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Dou-te tudo... Tudo o que sou e não sou, Sendo eu - sendo teu. Sendo teu por completo, Não sendo eu, Sendo nosso! Dou-te tudo o que tenho, O que tenho. Dou-te tudo! Dou-te nada... Nada do que não sou, Não sendo mais do que teu Apenas teu - meu eu em ti. Não sou, Ou então não sei ser, Enquanto não for nosso, Para ser eu... como sou. Dou-te o Mundo, O meu peito infame, Ardente, dormente, Naquilo que sou - ao ser de quem és tu. Dou-te tudo... Sem prometer o que sou, Porque saberás que sou teu, Em tudo o que te dou... Em tudo aquilo que sou e... O que tenho! A ti te dou!

"Exaltação"

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Toca o meu corpo... Peço-te que me toques esta vez! De vez, para sempre. Talvez. Que me abraces a pele,  O meu peito intempestivo, Vivo, no meu ser. Teu. Toca-me a alma. Preciso de calma! Da voz que me grita por dentro, No firmamento de tudo o que tenho, Não tendo mais que tu. Toca o meu corpo... Antes morto. Hoje vivo. Repleto de fantasias que sei sonhar, Em tudo o que respiro, Em tudo o que me clama, Ao  refulgir do meu olhar. Toca-me... No batimento que é teu, No bombear deste meu sangue, Ora certo. Ora errante. Amor, toca-me! Desfaz-me em paixão! Toca-me o corpo... Rompe o meu respirar em utopias, Em magias. Gritarias. De quem grita ao mundo... Amor. Toca o meu corpo, Fica nele. Abusa dele, Faz me mim o que sempre fui! Teu... Por inteiro...

"Silêncio"

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Silencio-me e vou... Vou para onde não estou. Ser o que não sou, Ver o que nunca vi... Rasgo-me, devoro o meu coração, Engulo o amor que sinto e parto... Parto para longe de mim. Silencio-me e grito... Grito que nada mais sou, A não ser a carne que me pertence, A pele que se envelhece (em segredos calados - devorados enfim). Nada mais tenho.... Sou apenas a sombra que se vê, Nas escuras ruas que abandono, No sonho que era sonho, Em tudo... em nada. Silencio-me e... choro, Sinto o meu rosto humedecido, Coberto de memórias, De saudades esquecidas... Cravadas no meu esquecer. Silencio-me e vou, Parto e embarco, No meu peito meio fraco, No meu futuro tão ilusório (tão gritante). Silencio-me e digo adeus, Adeus ao que tive,  Adeus ao que não vivi... Ao que deixei morrer. Enfim parto, parto e largo, O meu peito ao vento, Passo a ser firmamento... Esquecendo-me de amar, Esquecendo-me de amar-te, Amando-te eternamente.

"Ser teu é ser mais homem"

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Ser teu é ser mais homem, É ser maior que tudo, É morder o sonho como quem beija o abraço, É revoltar o mundo em gritos de paixão. É viver o dia, cair na cama fria e… Aquecer-me no teu corpo É ser louco e gostar de o ser, É ser pobre de tudo e rico ao te ter. Ser teu é ser mais vivo, É sentir tudo o que sinto, No meu peito faminto de amor – do nosso amor. Ser teu… É ser condor, aventurar-me no desconhecido, Em tudo aquilo que não minto, Sempre que te olho nos olhos e entrego-me a ti. Ser teu é… não ter fim, É ser o principio de tudo, é abraçar o mundo, Como quem te abraça a pele, Como quem sente o cheiro, Da saudade que findas em mim. Ser teu é ser o bater do coração, É ser a fome de te querer nos meus braços, De te envolver nos compassos, De uma dança que não tem fim. Ser teu é ser meu por inteiro, Na liberdade de te amar por completo, Em qualquer dialeto, Que nos fale de amor… do nosso amor.

"Euphoria"

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Ouço a tua voz no meu peito que se entrega à saudade de ti, A tudo o que segredo - no segredo daquilo que temos os dois. Desde que habitas o meu corpo... todo ele se reveste de cor, De uma euforia que me corre nas veias, que corre no tempo, Que se atira ao firmamento, de uma eternidade que me mostraste... ao olhar. Grito por ti em tudo o que sou, sempre que te pertenço, Nas palavras que te beijam nas noites em que somos um só corpo, No prazer da nudez da nossa pele, na tempestade de desejos Que saciamos em beijos e espasmos de um amor nosso - só nosso. Rasga-me a roupa e revolta o meu ser em abraços que apertem, Em olhares que se cruzam - no calor de tudo o que damos, do que não negamos, Deitados sobre o nosso próprio querer - quer-me euforicamente! Agarra o meu âmago e apodera-te de tudo o que é teu por inteiro, Usa-me e abusa-me em amor, em ânsias de viver, De respirarmos um mesmo ar, de sustermos a respiração, Nus , vulneráveis, amant...

"Estarei a teu lado..."

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Estarei a teu lado... por mais que as lágrimas que te escorram do rosto, Por mais que penses que nada és, que nada vales - valendo tudo para mim. Ficarei a teu lado... por mais que o tempo passe e que te veja cair, Estarei perto de ti, para te pegar na mão, dar-te um beijo apaixonado, E adormecer contigo... no meu peito. Estarei a teu lado... sempre que tudo parecer desabar e não suportares  O mundo às costas, o peso de um dia menos bom. Irei segurar com toda a minha força o que não consegues suportar, Irei amar-te, cuidar-te, fazer-te sorrir  - ajudar-te-ei até que tudo se torne pequeno. Estarei a teu lado... abraçado ao teu corpo até que tudo passe, Até que veja as tuas lágrimas secarem num sorriso que tanto gosto de ver, Num olhar em que me perco - tão brilhante como as estrelas que iluminam este meu céu. Estarei a teu lado... porque sou teu nos bons e nos maus momentos, Naqueles em que tudo somos e em que parecemos nada ser. ...

"Matem-me... se dizem que não posso amar"

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Matem-me... matem-me se dizem que não posso amar, Sentir o amor, aquele amor, No meu corpo, nas minhas veias, no meu coração. Arrastem-me no escuro, tapem-me a boca, Calem-me a voz. Eu gritarei em silêncio! Matem-me se eu não poder sentir, O amor, o fulgor, a exaltação, Da paixão, no coração, no peito, Daquele refeito em utopias, em magias, Em berros loucos de quem ama loucamente. Matem-me... Cortem-me o peito, em marcas, Em escaras, em tatuagens, Marcadas, seladas, dilaceradas, No corpo, na carne, na alma. Matem-se se eu não poderei amar, Sentir quem sinto, sentir o que sinto, Sempre que te respiro, sempre que suspiro, O teu cheiro, o teu sabor, a tua presença. Matem-se que mesmo assim eu saberei viver, Por tudo o que acredito, Sempre que não minto, A mim, a ti, a nós, Quando digo que te amo, Quando digo que somos eternos, Quando posso fazer de nós imortais... Em amor.