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Desconcertas-me...

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Numa canção encontrava o teu olhar, desnudava o teu ser, beijava a tua pele. Naquele sonho eras mais que uma simples mulher, eras presente, ausente, eras vontade, a minha vontade. Os dedos das minhas mãos dedilhavam a melodia que ecoava do meu peito, naquele sonho tu eras a razão de tudo e eu, eu, era o homem que te fazia sorrir. No escuro do quarto, no silêncio de uma noite de Inverno, tu chegas-te até mim, de forma abrupta, irrompendo o meu sono, causando em mim a insónia. Fiquei por segundos a contemplar todo o secretismo de uma noite pintada de cor negrume, fechei os olhos depois, voltando à tua presença em sonhos meus. Confesso que naquela hora tiveste bem perto, senti o arrepiar da minha pele e o aroma doce de um perfume que me levou a ti. Estavas como sempre presente em cada segundo do meu respirar, em cada vontade que me percorre o ser, que te chama, que me faz querer-te como minha mulher. Hoje foste um sonho sonhado mas, melhor que tudo isto, foste o despertar de mais um dia,...

"Lê-me"...

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Desde de pequeno que acredito no amor, confesso que sou um apaixonado, um sonhador, um brincador das palavras, um narrador de histórias. Aprendi, com a vida, a viver de uma outra forma, a esperar momentos, a criar oportunidades e a não desistir, a persistir naquilo que mais quero. Sei que a vida nem sempre é justa, que existem dias cinzentos, capazes de nos marcar a alma e encher o corpo de escaras. Na verdade somos carne, somos coração, sangue que brota do peito, percorrendo as veias, chegando à pele. Somos feitos de oportunidades, de coisas que agarramos, de outras tantas que perdemos, ora pelo pavor de falhar, ora por aquele receio de errar. Somos a coragem e tantas vezes o medo que nos assola o corpo, numa viajem sem regresso, naquela que nem bilhete adquirimos para entrar. Vivemos por metades e enganamos o nosso ser, ficamos acomodados e receamos o que, para nós, supõe o desconhecido. Há dias em que sentimo-nos tudo e outros, outros, em que nos colocamos na posição de um nada, um...

Um, dois, três, Acção!

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Hoje tivera ouvido falar de arte, o dia não poderia ter sido melhor, no meio das letras e versículos de um estado de ansiedade, encenara a sua próprio cena e, num volte e face da vida, vê-se em palco, falando de si, exprimindo, aos outros, a arte de amar. As bancadas visíveis estavam repletas de expectadores, era a hora, era o momento no qual ele se entregava de corpo e alma, em que narrava tanto de si num supérfluo diálogo que falava do seu sentir. Não era a natureza de um ser livre ficar em cima de um estrado de madeira, ele representava-se em qualquer lado, desde um passeio a um rochedo firme que enfrenta o mar. Hoje ele ouviu falar de arte e foi nela, naquela definição que não era sua, que sentiu-se liberto, no seu próprio ser, na sua forma de ver a vida. Olhando os holofotes que encandeavam o seu olhar, sentiu o brilho nos olhos, a tremura no corpo e entregou-se, como sempre, num teatro repleto de vida, de uma vida que ele vive ali, com ele mesmo, sem paixões, sem aventuras, se...

Não me leias com os olhos...

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Nunca foram o toque e muito menos o tempo que pedia para ficar. Eram desconhecidos, detentores de destinos que se cruzavam, ao despontar de mais um Verão ou, até mesmo, em contactos diários que se passavam naquela pequena terra. Tiveram crescido de forma diferente, com outras pessoas, com outros sonhos, com outras prioridades. Ele aprendera a ser um amante da vida, um ser que se entrega às correntes do mar que o arrastam, que lhe mostram que é um alguém vivo, um alguém que sente. Ela, dela pouco se sabe, uma rapariga de sorriso bonito, de olhar expressivo e de uma subtileza que tivera impressionado aquele jovem rapaz. Os dias passaram, as horas alteraram-se e, num segredo apenas seu, ele, agarrou-se aos livros que devorara numa velocidade constante, movido pela vontade, pela ânsia de descobrir o que era então o amor, o que se falava, quem encarnava aquelas belas histórias que se habituara a ouvir desde pequeno. Nunca encontrou respostas, nunca achou significados que sentisse seus, amo...

Um dia Amou(-lhe)...

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Olhando uma miragem pelo espelho do carro seguiu em direcção ao destino que o aguardara. Já caia o sol no horizonte e para trás ficava a certeza de um novo amanhã. As conversas imergiam nas músicas que passavam na rádio e o silêncio, da sua voz, irrompia os sonhos e projectos que o acompanhavam naquele percurso que tivera planeado dias antes. Era a recordação que o invadia, de forma incompleta, em fragmentos desfragmentados de uma constante consciência sentimental, ou lá como se prefere chamar. Os vidros enchiam-se de humidade que caia com o despontar da noite e, no confessar dos seus sentimentos, esboçou um sorriso, olhou firmemente as luzes dos outros carros que, por ele cruzavam, e disse para si próprio. Se tudo fosse amor seriamos então NÓS, NÓS daqueles difíceis de desatar, que ficam, que perduram. Se AMAR vem depois de NÓS, Então fomos NÓS, na minha forma intemporal de te AMAR... Foi então que ele parou por segundos de cantarolar as músicas que emanavam da rádio ...

Quando se quer...

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Podem passar por vocês anos, meses ou até mesmo quilómetros. Podem ser opostos, podem viver em “mundos” diferentes e idolatrar clubes de futebol distintos. Ele pode gostar de sair e ela ficar por casa ou até mesmo um preferir as noites frias de Inverno, e outro, as noites quentes de Verão. Podem  coleccionar  momentos desiguais, acreditarem nos vossos próprios ideais, um pode ir pelas conversas curtas e outro pelas intelectuais. Podem ser a liberdade do escolher o próprio caminho, podem ser o contraste daquilo que vestem, daquilo que gostam de saborear ou, até mesmo, daqueles que os rodeiam. Pode ela gostar de poesia e ele de prosa, ela ser adepta da lei e ele do da excepção. Podem ser diferentes de tudo, um sonhador e outro realista, um provocador e outro simplista. Podem seguir por destinos diferentes, ele no meio das pequenas casas e ela conhecedora das grandes avenidas. Pode um ser pelo sabor salgado do mar e outro, outro, pela doçura de um gelado partilhado a dois. ...

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Escarlate coração que sentia, os olhos fechavam-se e acomodavam-se numa expressão confortável. O tempo passara e, no aconchego das mantas e dos filamentos que tocavam a sua pele, ele desenhara, em traços firmes, o rosto da expressão de quem lhe habitava o pensamento. Era uma tarde fria de Inverno e a chuva desencadeava, na sua janela, uma melodia repetitiva que emergia numa vontade intensa de rever o olhar de quem o fazia sorrir. As horas pareciam estagnadas entre uma chávena de chá de menta, trazido de Marrocos, e um livro de cabeceira, aquele que narrava, em prosa, a história de um amor vivido, num tempo diferente mas, com uma intensidade tão semelhante àquela que corria desenfreadamente pelo seu corpo. Olhando ao longe via o mar, aquela agitação de corpos transparentes, reluzentes que, ao revoltarem-se entre si, formavam a espuma que se depositava no areal, que criava um ambiente envolvente absorvido pelo semblante alegre que iluminava o seu rosto. A música corria no rádio e, foi u...