Porque o melhor é sempre viver...
Suspirou e olhou em redor, as suas mãos trémulas seguravam o que restava daquele coração, as mais marcadas feridas de um amor perdido, ali despido do seu corpo, esquecido da sua alma. Caminhava na direcção da luz, naquela noite fria, naquele beco sem saída. Perdido, assim se encontrava, perdido na sua própria história, vivia daqueles sonhos que não o tinham abandonado, daquelas recordações que permanecem tão vivas dentro de si. Longe vão os dias e as horas em que a cor era parte integrante daquilo que construía, cor que a paleta da sua vida detinha, que as suas telas expressavam. Pedia mais uma oportunidade, pedia mais um viver aquela vida que outrora se tinha esquecido dele, que ainda se esquece do seu caminhar. Fraco homem, grande guerreiro, vitorioso em dias de sol e um perdedor indignado, que nunca baixou os braços as quedas que foi dando, nos fossos que foi caindo. Levantou-se sempre, porque sabia que jamais seria feliz ali deitado, foi artista, foi escritor, narrou a sua história...