Palavras trocadas...
Não espero, nem desespero, Não olho, não vejo, Não sinto, não toco, Não cheiro, não gracejo. Não sei se és tu, lua, sol ou mar, Se és praia que me viu nascer ou rio que teimo em passar. Não digo, não calo, Não sou, não falo, Não quero, ou quero então demais, Ser poeta é mesmo assim, entrar no principio desconhecendo o fim. Não sonho, sonho em vão, Não beijo ou beijo o infinito então, Não quero, não desejo, mas quero querendo, Não é sombra, é sol, sal de um amor tremendo. Não ouves, não sentes, Não vês palavras, prosas presentes, Não danço, não toco, Não entro no jogo, não perco o foco. Não sou, não somos, Nem mesmo o toque de um caminho em que fomos, Não sei, não soube, não quero voltar a mim, Sentir este caminho, sem princípio, meio e fim. Não é ou então sempre foi, Palavra contida na garganta, no peito que dói, Não é, não sejas, Primavera em flor, flores, amores, cerejas. Não é o dizer, querer, sentir, Não é confissão confessada...